Segunda-feira, Centro lotado do Rio. O quanto o sol dos primeiros dias de verão nós esmaga contra o asfalto, um ónibus marca aproximadamente a parada para pegar seus passageiros. A destinação, inscrita em letras amarelas no para-brisa, Mandala, indica o percurso : sair logo do Centro, e seguir pelas praias, uma depois da outra - Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, até o outro lado da cidade. Além de oferecer um visual de cinema, essa linha apresenta o vantagem de cruzar a metrópole rapidamente com o ronrom do ar condicionado puxado ao máximo.
Estamos a bordo. Uns vinte passageiros, a trocadora, o motorista e nossa confiança no transporte público.
Primeira etapa, sem erro. Botafogo desfila à toda velocidade. Atrás dos vidros, o Corcovado transpira e o Pão de Açucar cozinha em lume brando. No alto da sua cadeira, os pés contra o torniquete, a dona trocadora dormita. As filas estão calmas, não tem de que se preocupar mesmo. O ónibus segue seu rumo.
Saímos de Botafogo, estamos à alguns metros da avenida Atlântica, que ladeá o mítico mar de Copacabana. A banda de areia branca se alinha em perpendicular na nossa frente. Mas de repente, o ónibus bifurca. Curva para a direita, e lá estamos nós, no meio do zumzum das ruazinhas do bairro, há mais de 100 metros dos coqueiros famosos. Os passageiros acordam divagar da sua moleza... mas a onde vamos ? A interrogação muda se torna rapidamente num resmungo de protestação :
"Trocadora !!! Mas não é o caminho ! O que que está acontecendo ?"
Sem pressa, erguendo a cabeça na direcção dos furiosos, ela levanta os ombros : "Eu tomo conta dos passagens, o caminho vêem com ele", se defende, apontando do queixo para o motorista impassível atrás do seus óculos escuros.
As vozes interpelam o acusado : "Mas, a onde você está indo ? A gente não deve seguir a praia ?"
As ruas passam, uma depois da outra, o ónibus continua longe das ondas e das cangas. Os motins viram mais barulhentos, accionam o sinal, gritam, batem nos vidros... "Oh! Motorista! Oh! Oh!'
O condutor teimoso cede enfim, divagar o veículo vira para a esquerda e a praia reaparece em nossa frente. No meio dos suspíros aliviados, a voz grave do capitão do volante ressoa solitária como uma reprimenda : "Era mais rapido par là".
No transporte do Rio não hà linha de ônibus, só hà curvas abertas às vontades e desejos do motorista...
Em um instante, as banhistas de bikini rebolam de novo no nosso lado, e a vidinha à 50 quilómetros por hora volta na normal. Os revoltados se retornam passageiros anónimos, dona Controladora continue seu cochilo e só Yemanja sabe o que o motorista está resmungando atrás dos seus vidros de fumaça. Laiá !
Estamos a bordo. Uns vinte passageiros, a trocadora, o motorista e nossa confiança no transporte público.
Primeira etapa, sem erro. Botafogo desfila à toda velocidade. Atrás dos vidros, o Corcovado transpira e o Pão de Açucar cozinha em lume brando. No alto da sua cadeira, os pés contra o torniquete, a dona trocadora dormita. As filas estão calmas, não tem de que se preocupar mesmo. O ónibus segue seu rumo.
Saímos de Botafogo, estamos à alguns metros da avenida Atlântica, que ladeá o mítico mar de Copacabana. A banda de areia branca se alinha em perpendicular na nossa frente. Mas de repente, o ónibus bifurca. Curva para a direita, e lá estamos nós, no meio do zumzum das ruazinhas do bairro, há mais de 100 metros dos coqueiros famosos. Os passageiros acordam divagar da sua moleza... mas a onde vamos ? A interrogação muda se torna rapidamente num resmungo de protestação :
"Trocadora !!! Mas não é o caminho ! O que que está acontecendo ?"
Sem pressa, erguendo a cabeça na direcção dos furiosos, ela levanta os ombros : "Eu tomo conta dos passagens, o caminho vêem com ele", se defende, apontando do queixo para o motorista impassível atrás do seus óculos escuros.
As vozes interpelam o acusado : "Mas, a onde você está indo ? A gente não deve seguir a praia ?"
As ruas passam, uma depois da outra, o ónibus continua longe das ondas e das cangas. Os motins viram mais barulhentos, accionam o sinal, gritam, batem nos vidros... "Oh! Motorista! Oh! Oh!'
O condutor teimoso cede enfim, divagar o veículo vira para a esquerda e a praia reaparece em nossa frente. No meio dos suspíros aliviados, a voz grave do capitão do volante ressoa solitária como uma reprimenda : "Era mais rapido par là".
No transporte do Rio não hà linha de ônibus, só hà curvas abertas às vontades e desejos do motorista...
Em um instante, as banhistas de bikini rebolam de novo no nosso lado, e a vidinha à 50 quilómetros por hora volta na normal. Os revoltados se retornam passageiros anónimos, dona Controladora continue seu cochilo e só Yemanja sabe o que o motorista está resmungando atrás dos seus vidros de fumaça. Laiá !