sexta-feira, 24 de julho de 2009

Implicâncias
por Quel Sarinho

Pois é. Todo mundo tem as suas implicâncias. Tem gente que implica com pessoas que falam alto, que usam peruca, que não dão bom dia no elevador, ou ainda que oferecem aquela mão molinha na hora de cumprimentar, ou que cutucam para falar.

E penso que as implicâncias têm lá suas graduações. Umas irritam mais do que outras. Algumas acontecem assim, quase por acaso, vêm e vão como um espirro, tipo quando pessoas bochecham o vinho na minha frente antes de tomá-lo. Outras simplesmente vêm, e ficam para sempre. Por exemplo: como não implicar com mulheres beges que fazem biquinho para falar e miam feito gato?

Pensando sobre minha infindável e sempre crescente lista de implicâncias, resolvi eleger as minhas preferidas – pois é, confesso, que criei uma certa afeição por elas – que resultaram numa top five list.

A número um, sem dúvida alguma, seria a das pessoas que mastigam chiclete de boca aberta. E se a pessoa for mulher, então, meu deus! chego a salivar de raiva. E isso é sério. Só não me pergunte porque. Nasci assim. O mais incrível é que as pessoas que mastigam chiclete de boca aberta acabam gerando em mim uma certa desconfiança. Já reparei: nenhum dos meus amigos mastiga chiclete de boca aberta, o que me leva a crer que meus instintos estão certos.

Implicância número dois. A forma retardada com que as pessoas se tratam em e-mails, orkut e afins. É o surgimento de uma comunicação for dummies, acho. Fenômeno típico da internet e do mundo virtual, apesar de que, já andei reparando, as pessoas estão regredindo cada vez mais na vida real também.

Realmente eu implico, e muito, com quem já tendo terminado a faculdade manda beijoosssssssssssssssssss, ri Huahuahuahua, tem muitas amigaaaaaaassssss que se adorooooooooram muuuuuuuuitoooooooo e que vão a eventos suuuuuuuuper legaaaaaaaaaaais no final de semana. Je-sus. Se o teclado está com defeito e as teclas ficam prendendo toda hora, é baratinho comprar outro. Asseguro. Ou se o problema não é no teclado, talvez seja na placa mãe mesmo, o que pode ser resolvido com algumas sessões de psicanálise.

Bululucagens públicas. Essa é a minha implicância número três. Abro um parêntesis aqui para explicar o que significa “bululucagem”. Sabe aquele apelido meio carinhoso meio retardado que os casais se dão entre quatro paredes ou aquela vozinha de criança que a mulher faz para o “seu homem” para pedir alguma coisa ou a imitação de cachorrinho que o homem faz para a “sua mulher” quando ela o elogia? Então, tudo isso é bululucagem.

Outro dia viajei com um casal amigo. Ela o chamava de honey e ele a chamava de sweetie. Num primeiro momento, fiquei enternecida com os apelidos carinhosos, mas logo as palavras honey e sweetie passaram a dominar os diálogos, e a se reproduzirem como periquitos australianos. A cada dialogo entre os dois com vinte palavras dez eram honey e quinze sweetie. O melhor era ver discussões entre honey e sweetie. Porque até nesse momento eles não deixavam de se chamar honey e sweetie. Insuportável.

Implicância número quatro. Expressões do tipo “lugar com gente bonita” e “um lugar para ver-e-ser-visto”.

Lugar com gente bonita? Vamos combinar, estamos falando de lugar com gente rica. Não existe gente feia, existe gente sem dinheiro. Fato. E lugar para ver-e-ser-visto é um conceito que eu não entendo. As pessoas realmente querem ir para um lugar onde um fica prestando atenção no outro o tempo todo? Tipo, não dá nem para comer aquele sanduba de filé com abacaxi e queijo onde cada mordida é uma briga entre os seus dentes e a carne e o queijo, a carne querendo sair inteira, seus dentes não conseguindo cortá-la e o queijo estabelecendo uma passarela entre o sanduba na sua mão e a sua boca? Mundo maluco esse minha gente.

E a última implicância da lista, mas não menos importante, é a minha implicância com pessoas-burras-que-se-acham-inteligentes. Nada contra pessoas burras. Nada contra pessoas que se acham inteligentes. Mas pessoas-burras-que-se-acham-inteligentes não dá! Principalmente porque essas pessoas repetem a mesma explicação para você muitas e muitas vezes, e de uma forma muito detalhada. E eu já entendi porque as pessoas-burras-que-se-acham-inteligentes se comportam assim. Porque elas pensam que se não fizerem dessa forma, você, assim como elas, também não vai entender absolutamente nada.

Poderia passar horas e horas escrevendo sobre todas as minhas implicâncias. O que, pensando bem, seria bastante irritante. Como também implico com textos longos, e com pessoas que não sabem a hora de parar, termino por aqui.

Um comentário:

MariaFlor disse...

Quel,
Parabéns!!
Basta vc transcrever teus diários de viagens e este blog será um sucesso.
Ah! Concordo com tuas implicancias...principamente as das bululucagens ...e pior é aquela mulher que, querendo fazer charme...só falta falar tipo gugu-dá-dá, com aquela vozinha de criança...irritante demais da conta.
Beijos!
Sucesso.