quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Todo mundo acha que pode...

Eu gosto dessa música, me ajuda a entender algumas coisas. Algumas pessoas.
Algumas frases, alguns momentos, atitudes... alguns carros grandes por aí...

De repente voces acabam gostando tb!


Eu sou melhor que você... por Moreno Veloso

(Composiçao: Mauricio Pacheco)

Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta.
Todo mundo tem razão e vence sempre na hora certa.
Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota.
Todo homem tem voz grossa e tem pau grande,
E é maior do que o meu, do que o seu, do que o do Pedro Sá
Todo mundo é referência e se compara só pra ver que é melhor.
Todo mundo é mais bonito do que eu mas eu sou mais que todos.
Todo mundo tem suingue, é feliz, é forte e sabe sambar.
Todos querem mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor porque:
Eu sou melhor que você, Boa viagem.
Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém
Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque,
é charmoso não saber algo que todas as pessoas já sabem como é.
Todo mundo é especial, é original, é o que todos queriam ser.
Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer.
Todo mundo ganha grana pra dizer que ela não vale nada.
Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada.
Todos querem se apaixonar sem se arriscar, nem se expor e nem sofrer.
Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputação,
Se reprimem e começam a dizer:
Eu sou melhor que você.
Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém!

É melhor que você,
Mais ninguém é melhor que você.

Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As cores bonitas.... 002

Esse vai em homenagem as meninas pelo post aí de baixo....

..."Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm
outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino. "

(trecho de Apostila, por Fernando Pessoa, porra!)

Enfim...só?!

Eu acho que todo mundo já se sentiu profundamente só em alguns momentos da vida. Aquele sentimento de solidão que lhe dá a impressão de que você está sozinho vendo o seu entorno como um filme, onde você não tem papel algum. Aquela certeza de que você foi esquecido pelos seus companheiros ETs e, a qualquer momento, a nave-mãe vai voltar para lhe salvar desse lugar, ao qual você definitivamente não pertence.

Então, senti tudo isso (e mais uma pouco) durante uma festa neste sábado, para a qual fui gentilmente convidada pela minha mais nova-amiga-de-infância. O convite prometia uma noite super bacana com gente descolada. Eram 4 aniversariantes todos por volta dos seus 35 anos, ou seja, nada de pirralhos chatos. O local era o clube Guanabara que, apesar de super decadente, tem lá seu encanto pela localização e por um comprido pier que avança na enseada de Botafogo.

Chegando lá, olhei em volta e senti que alguma coisa estava fora da ordem (da minha "ordem" pelo menos). Eram homens e mulheres de todos os tipos e vestimentas. Pela estética, alguns moravam bem "longe", outros tinham vindo diretamente da Eco-92 (esses até ganharam a minha simpatia, confesso), um grupo tinha acabado de sair do Projac e tinham aqueles que muito provavelmente estavam chegando de São Paulo com suas camisas pólos para dentro da calça.

Com o tempo mais e mais pessoas foram chegando e a festa, inicialmente total mistureba e nada a ver com nada, foi tomando forma até que ficou tudo muito claro: eu estava em campo minado, no meio de uma guerra suja, porque a festa era de solteiros!!! E posso dizer pra vocês o exato momento da minha clarividência: a maldita música - e hino - "Solteiro no Rio de Janeiro".

"UUuuuhuuuuuuu!" Foi só o que ouvi quando a música começou a tocar, para o meu total desespero. Eu que estava animadamente dançando não consegui me mover mais. Olhava para os lados, e tudo que via eram homens alisando suas barrigas e a mulherada rebolando até o chão.

Juro pra vocês que tentei desesperadamente fazer contato com a nave-mãe, mas parece que a fumaça de cigarro do ar impediu que as minhas vibrações chegassem até ela. Fato é que fiquei ali, paralisada, até que uma voz no meu cangote me tirou do transe "pô, gatinha, acabou a bateria?" Olhei pra criatura parada do meu lado, e pensei se eu abria meu coração pra, carinhosamente, confessar que eu ODIAVA aquela música, ou se simplesmente dava um sorriso. Fiquei com a útima opção, porque a verdade é que eu estava só, em território inimigo.

E a partir daí a noite transcorreu com muito suor, muitas pessoas bêbadas esvaziando seus copos em cima das outras (a cada música lasciva que tocava), homens à caça e mulheres à procura. E eu no meio de tudo isso.

Em uma determinada hora, comecei a procurar por algum rosto amigo, alguém com quem eu pudesse trocar um simples olhar de empatia, de compaixão, mas a única pessoa conhecida que avistei foi uma ex-paixão minha (meudéus! onde eu estava com a cabeça?) que estava enlouquecidamente dando em cima de cada criatura com saia que passava. Não só não fui falar com ele, como passei a me esconder. Achei que seria melhor não interromper esse momento "macho em caça". Definitivamente não queria ser a responsável por ele voltar com fome pra casa.

Uma hora desisti de negar a minha condição de Flicts e resolvi ir embora. No caminho até a rua a situação era realmente devastadora, de uma verdadeira guerra: pessoas caídas bêbadas, vomitando sem parar.
Quando entrei no taxi, olhei pro céu e vi a lua -- minha única amiga e testemunha -- e pensei sobre a minha condição de solteira e das situações que muitas vezes temos que passar enquanto o momento "troca de alianças" não vem. Mas, pela primeira vez em muito tempo, dei graças a deus por estar, enfim, só.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Meta

A meta é conseguir no final do dia, sinceramente, rezar: "Senhor, tratai-me amanhã como eu tratei os outros hoje. Amém."

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Clara

Clara abriu os olhos. Era uma daquelas manhães em que o céu se mostrava infinitamente azul, sem uma só nuvem para distrair. O sol com seus raios quentes enchia de brilho e força tudo que abraçava, e a brisa fria soprava suave e lentamente.

Levantou e sentou à beira da cama sem tirar os olhos do dia que, como um quadro, via emoldurado pela janela do seu quarto. Levou à mão ao peito e respirou profundamente. Clara estava grávida fazia já alguns meses, mas não lhe crescia uma criança. Clara estava grávida de amor. Um amor que sentia maior todos os dias, tomando-lhe o ventre, o peito, as vértebras, o pulmão. Às vezes Clara se preocupava, será que aquele amor todo lhe mataria?

Desde que entrou na adolescência, vinha se preparando para aquele momento sem nem mesmo perceber. A gravidez, há tanto tempo inconscientemente desejada, agora tinha finalmente acontecido. Tinha vivido alguns relacionamentos ao longo dos anos. Foram muitas as reflexões, ajustes, e podas. Perdeu as contas de quantas vezes se perdeu e se achou em si mesma, num eterno transformar.

Até que um dia, Clara acordou e se estranhou; ela estava diferente. Sentia uma inquietação, uma angústia muito distinta de todas as outras perturbações d'alma pelas quais já havia passado. Tal como a lagarta que muda de cor e de forma para se descobrir borboleta, a mudança era estrutural. Clara não se reconhecia mais. Olhava tudo e todos a seu redor, e o gosto que sentia na boca era outro. Os cheiros, as texturas, os sorrisos. Não! como era possível que de uma hora para outra o seu mundo tivesse mudado tanto?!

Passaram-se os dias, os meses, e um dia Clara finalmente percebeu: era a sua gravidez de amor que havia a transformado, e que fazia com que seus olhos enxergassem o até então não visto. A angústia que sentia era o amor que lhe crescia, roubando-lhe espaços internos, tirando-lhe o ar. Sim, o mundo podia ser belo, verdadeiramente belo, ela só precisava parir.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ouvir Estrelas (Olavo Bilac)

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

"E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Me contaram...002

Alergia

Ele subia degrau por degrau ainda pensando no que ia falar pra ela.

Na noite anterior não tinha conseguido nem dormir, o coitado.

Tinha errado sim, mas foi no impulso, sem querer. Achou que pra ela, não faria diferença.

_Ela nunca tinha ligado pra isso mesmo!_Pensava alto e parecia que ia desabar a qualquer momento.

Parou no meio, pensou em descer, preferiu esperar mais um pouco. Respirou fundo! Tirou a gravata, ele não precisava disso, a gravata não ia fazer diferença.

Ele suava, em bicas. Tinha acabado de tomar banho não tinha nem vinte minutos. Era nervoso, ele não era de suar assim.

Sentou! Algumas pessoas passaram perguntando se estava tudo bem. “Porque? To parecendo doente? Com que cara eu to? Eu to bem, pô!” Ele pensava mais que falava, na verdade nem falava, só respondia com um abano de cabeça, ou um leve gesto de sobrancelhas. Mas suava, em bicas.

Não ia subir mais, estava decidido. Desceu, encostou no carro. Tirou do bolso a carta que tinha escrito no dia anterior. Escrito não, digitado e impresso, até porque, nervoso do jeito que estava, não ia conseguir escrever uma linha reta.

Releu, achou uma bosta. Estava tenso quando escreveu, só agora via que não tinha escrito nada com nada. Simplesmente palavras soltas no papel que agora já estava até meio amassado da viagem de ônibus até a Rua do Meio, onde ela morava.

Pensou em ir embora de uma vez, mas voltou atrás, tinha que falar com ela, foi pra isso que ele tinha ido lá, não dava pra voltar atrás agora.

Será que ela ia aceitar ele de volta?

Ele estava morrendo de medo, nunca havia amado alguém assim.

Tinha comprado até uma dúzia de flores pra ela dois dias antes, nunca tinha feito isso pra ninguém. Haviam se conhecido há duas semanas.

_Como eu ia saber que ela era alérgica a flores?.

Simones ou Antônios_003 + nao me importo com as rimas_002 (a pedidos...)

Grávida_gestante, pejada, prenhe...

Grávida_ávida, pávida, impávida...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Glorinha

Glorinha encostou a cabeça na janela do ônibus. Ajeitou a bolsa no colo, apoiou seus braços em cima dela e olhou em direção à rua. Chovia. Durante o trajeto, seis passageiros sentaram e levantaram do seu lado, sem que Glorinha tivesse se importado ao ponto de olhar para eles, permanecendo o tempo todo na mesma posição. Até que desencostou a cabeça da janela, ajeitou os ombros, levantou e pediu parada.

Já passavam das onze horas da noite. A rua deserta e úmida fazia ecoar mais alto o barulho do seu salto contra o chão. O prédio onde morava não tinha porteiro, era daqueles prédios antigos, década de 50, sem elevador. Glorinha morava no apartamento 405. Subiu os quatro lances de escada enquanto ouvia, e só ouvia, sua própria respiração. A cada andar que subia, ia acendendo as luzes fracas dos corredores que mal iluminavam seus passos.

Ao abrir a porta de casa, ouviu o barulho da televisão. A luz da sala estava acesa e João sentado no sofá com os olhos fixos na tela. Colocou a bolsa e chave na mesinha ao lado da porta, e se encaminhou na direção de João. Chegou até o meio da sala, ameaçou falar, mas como seus olhos não se desviaram para ela, desistiu. Glorinha deu meia volta, entrou no banheiro e fechou a porta.

De frente para o espelho se olhou e suspirou. Seus olhos percorreram seu rosto. Ainda não tinha rugas. A pele muito branca, o cabelo castanho escuro e a boca amarronzada pelo batom faziam contraste com a blusa verde garrafa, que ela mesma tinha feito. Escutava a televisão ao fundo. Seus pensamentos a levaram para longe dali. Quando voltou a si percebeu pelo espelho que lágrimas escorriam pelo seu rosto.

E assim como as lágrimas, Glorinha deixou-se cair. Ajoelhada no chão do banheiro segurou o rosto com as mãos, numa tentativa de se manter dentro de si mesma. Mas era inútil, suas lágrimas e soluços transpassavam a barreira de seu corpo.

Ficou agachada em prantos até ouvir a televisão ser desligada. Assustada, levantou num salto e ligou o chuveiro. O barulho da água iria abafar e disfarçar o barulho do seu choro. Ela não queria que João a ouvisse.

Quando saiu do banheiro as luzes da casa já estavam todas apagadas. João dormia no quarto. Como de costume, no canto da cama de costas para ela e de frente para a parede. Glorinha então destrancou uma das gavetas do armário e apanhou um velho caderno. Foi para a sala, acendeu o pequeno abajur ao lado do sofá e, no silêncio da noite e da vida, começou a folhear e ler suas últimas anotações:

15 de setembro de 2001….“em que momento a vida que planejei e sonhei pra mim escapou das minhas mãos?”… 10 de agosto de 2002 “ muitas vezes me pergunto se é melhor viver ao lado de alguém, e ter a ilusão de que tenho alguém, ou me encarar sozinha, sabendo que sou apenas eu e mais ninguém?”… 25 de março de 2003 “por que deixei de acreditar que poderia encontrar um amor companheiro, por que deixei de acreditar que poderia viver uma relação feliz?”… 30 de outubro de 2003 “meus sonhos, meus projetos para onde foram?”…. 02 de março de 2004 “me sinto tão aprisionada”….

Ao relembrar seus últimos anos de vida, Glorinha chorou novamente. E entre um soluço e outro, em meio a seu pranto, abriu uma página em branco e escreveu:

"30 de julho de 2004, descobri que estou grávida."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brasil 3 x 1 Argentina

A cerveja gela no cooler em formato de lata de cerveja, a pastinha de atum com maionese está quase pronta, os ingredientes para o cachorro-quente estão todos separados. Só falta o casal anfitrião se arrumar para esperar os convidados. Camisas da Seleção Brasileira da última Copa a postos, copos separados, uma cerveja aberta enquanto a galera não chega, início de clima de Copa do Mundo.

O narrador mala solta um “bem amigos da Rede Globo” na TV, o jogo começa dois minutos e pouco antes do previsto, chega o primeiro casal de amigos, ele amigo de infância do anfitrião.

- Ué, o jogo já começou?

- Já. Vamos ver, Argentina tocando mais a bola. Depois a gente mostra a casa. Querem cerveja?

- Quero, claro!

- Ôpa, onde é o banheiro? Geralmente é na segunda porta à esquerda – brinca o amigo.

- Não, aqui é na primeira porta à direita – responde o anfitrião.

Toca a campainha, cinco minutos de jogo, chega o outro casal de amigos, ela com a camisa do Brasil, ele, gaiato, com a camisa da Argentina.

- Bámos, bámos, Arrentina, bámos, bámos a ganar!!!

- Tem sempre um gaiato, né? – diz a anfitriã.

O jogo segue, a pastinha em cima da mesa vai sumindo do pote, assim como o queijo e o salame.

- Querem comer já o cachorro-quente? – pergunta a anfitriã – É que ela trabalhou hoje, deve estar com fome – diz ela, para explicar a situação da amiga que trabalhou em pleno sábado.

A cerveja vai saindo feito água, alguns não bebem por recomendações médicas, outros para segurar a onda...

- Ih, é falta. Ah se tivesse o Juan na Seleção. Tá fazendo gols de cabeça direto em cobrança de falta. Só tem o Luisão que ... goooool!!! – grita o anfitrião, para comemorar o gol de cabeça do Luisão.

Barulho na rua, mais cerveja, Maradona com cara de bunda na televisão, mais uma falta pro Brasil.

- Olha lá, vai sair outro gol. Tá com cara de goleada – diz um dos convidados.

Gooooooool. Luís Fabiano. 2 a 0 pro Brasil.

- IIIIIIhhhhh, o Maradona ta ferrado – diz outro convidado – Daqui a pouco o Galvão Bueno vai mandar o “toca me bôi”. Inventou e fica nessa de “toca me bôi”.

Risos, intervalo, a casa é mostrada para os amigos, o Hino Nacional é destruído pela Vanusa no Youtube, cachorro-quente para todo mundo, começa o segundo tempo, bola pra cá, bola pra lá...

- Ih, o Brasil vai golear, tá com cara de goleada – diz o convidado com a camisa da Argentina, já totalmente a favor do Brasil.

De repente...

- Gol!!!!

Uma voz única, gol da Argentina. O grito não foi do convidado com a camisa da Argentina, mas da sua mulher, que, na verdade, mesmo vestida com a camisa do Brasil com o número 7 às costas e o nome do Adriano, quer é ver gol.

Já surge na TV o narrador chato dizendo “um Brasil e Argentina é seeeempre um Brasil e Argentina”. Para, logo depois, escorregar no português, soltar um “Luís Fabiano, olha a deslocação” e encher o peito para dizer “olha o toque por coberturaaaa... gooooooooollllll... ééééééé do Brasiiiiiiilllll”.

- Vai tomar no cu, Argentina! Vai se foder Maradona! – brava o anfitrião, para logo depois imitar o narrador chato – Haaaaaja coração, amigo!

3 a 1 no placar, toque de bola, mais cerveja, a noite passa, o jogo acaba, os convidados começam a ir embora, um tem de ir para uma quadra de samba, surge um sorvete de chocolate com amêndoas, o outro convidado pede um balde para batucar enquanto o anfitrião, meio bêbado, repete uma música só no cavaquinho.

- Ai meu Deus, os vizinhos vão adorar – diz a anfitriã, com a música ao fundo: “mas a faculdade é particular. Particular, ela é particular...”.

Acaba a música, recomendação para o último casal mandar um torpedo avisando que chegou são em casa, “porque nunca se sabe, né?”, o anfitrião deglute o que resta de salsicha, a sala tem as cadeiras desarrumadas e alguns poucos copos espalhados. Chega o torpedo, o anfitrião já dorme, a anfitriã pensa em como responder parecendo o marido. Até porque, é tudo particular...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Metapost

Como as referências a nós mesmos são explícitas aqui, mais uma referência, juntando um post da Fafau com o pensamento da Quel.

Quelzinha, minha amiga, um outro ditado para o "quem com ferro fere...". Eu ouvi isso num programa do Seu Boneco quando ainda estava na faculdade e aproveitei numa música besteirol que fiz, cujo nome é Por que toda mulher feia é gente boa?.

Mas o ditado é o seguinte: quem com ferro fere vai em cana (com direito a um "aí, eu vou pra galera...").

Se bem que tem gente que fere, com ferro, e não vai em cana. Mas aí é assunto para um papo em restaurante japonês numa noite de feriado.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Arrastão Virtual

Gente, vamos falar sério aqui.

Hoje "fui" na página do twitter de um amigo meu. Nunca tinha "estado" num twitter antes. Foi muito emocionante. As pessoas são lacônicas e o papo um pouco desconexo, mas esse é o futuro, dizem. Foi então que olhei para o canto direito da página e vi que ele tinha 185 seguidores. Uau, pensei. Daí entrei no twitter de outro amigo e, para meu total espanto, esse tem 1.068 seguidores!!!!! Isso mesmo que vocês leram. Automaticamente me veio o pensamento de que esse mundo virtual é mucho crazy mermo.

Para quem não sabe, twitter é uma ferramenta que você usa para acompanhar uma outra pessoa 24 horas por dia. A pessoa fica postando frases curtas. Qualquer frase que ela queira. Geralmente as pessoas postam coisas que elas estão fazendo. Por exemplo, se eu tivesse um twitter, ele seria assim:

10.00 am - Entrei na Globo
10.15 am - comecei a ler um contrato
10.45 am - continuo lendo o mesmo contrato
11.30 am - agora estou comentando esse contrato
12.00 am - estou ao telefone com um cliente chato
12.20 pm - peguei outro contrato para ler
1.00 pm - continuo lendo o contrato

E por aí iria. Seria o twitter MAIS chato da web, eu garanto a vocês.

Mas não era sobre isso que eu queria falar. O que eu queria dizer é que pára para pensar numa coisa: imagina que você está andando na rua. O Leo, por exemplo, que foi tomar um café no centro da cidade. De repente ele olha para o lado, e vê que tem uma pessoa o seguindo. Ele continua andando, entra numa loja e percebe que além daquela pessoa tem mais 3 pessoas o seguindo. Ele sai da loja e vai tomar o café. A essa altura já são 20 pessoas seguindo o Leo. Pois bem, vocês não acham que o Leo ia ENLOUQUECER? Qualquer um ia enlouquecer. Imagina ser seguido o dia inteirinho??? Agora, imaginem 1086 pessoas te seguindo... não poderia ser outra coisa que não um arrastão! Eu ia sair correndo, com certeza.

Mas no mundo virtual essa lógica parece realmente não se aplicar. De qualquer maneira, eu continuo achando tudo isso uma doideira só. Prato cheio para psicanalistas, terapeutas e.... voyeurs.

Trombadas prum café

Andar pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro exige uma destreza ímpar, uma qualidade nata que eu me esforço, mas me esforço mesmo, para chegar perto, só perto. Está certo, essa destreza deve ser necessária para andar pelas ruas dos centros das grandes cidades do mundo. Porém, fico aqui reduzido ao “universo ao meu redor” do Rio de Janeiro mesmo, essa tal de Cidade Maravilhosa.

Bom, a primeira destreza é saber desafiar a lei da Física que determina que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Nas ruas do Centro essa lei cai por terra todos os dias. Não só dois corpos ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo como três ou até quatro corpos ocupam o mesmo espaço. É nessa hora que o camarada tem de ter a destreza ímpar de mudar o destino do passo no meio do caminho. Sabe aquela fração de segundo entre um passo e outro? Então, é aí que o cara tem de mudar o percurso que imaginou traçar.

A pessoa também tem de ter um saco de filó para desviar dos obstáculos que surgem. Um deles é o da mulher que leva uma bolsa grande num antebraço e abre em demasia o outro braço, para poder se equilibrar. Consegui explicar onde a mulher leva a bolsa? É ali naquela “dobrinha” do lado oposto ao cotovelo. Ali é um desastre. Meu amigo, vai ser difícil desviar. E se a pessoa for gordinha e estiver andando na sua frente, o jeito é esperar chegar num lugar mais amplo para poder passar.

Outro obstáculo é o cara de terno e mochila. Já viu quantos andam no Centro do Rio? Um monte. E para completar, a grande maioria parece que anda atrasada, desafiando a lei da Física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Não será novidade se, de repente, você se deparar, do nada, com uma mochila, que entra de supetão na sua frente.

Ah, ainda tem aquele grupo, aí já mais coroa, de três ou quatro amigos, sócios ou empregados estáveis de alguma grande empresa. Eles andam lado a lado e, geralmente, os últimos de cada extremidade ainda carregam uma pasta ou uma agenda, dificultando a sua passagem pelo lado. Nessa categoria também estão incluídos os grupos de amigas, nem sempre bonitas, que conversam animadamente. Aí não tem jeito: ou você tromba na última pessoa de alguma extremidade ou, então, se encolhe no canto e deixa o “bonde” passar.

Claro, há os trombadinhas; os carros; as advogadas que andam com seus carrinhos de processo trombando em todo mundo; os ambulantes fugindo da apreensão da Guarda Municipal; o cara que corre para pegar o ônibus; a velhinha que anda mais devagar que todo mundo; o cara que estende o papelzinho da propaganda e coloca o braço na sua frente; a pessoa indecisa que, quando você desvia, vai para o mesmo lado e fica nessa umas três vezes. Isso só num passeio de 20 minutos para tomar um café...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mais da "Vida como ela é para Crianças"

VI. Justiça

(Para minha querida amiga Quel,
que ainda acredita que "quem com ferro fere...". Vocês sabem.)
Era uma vez Helena, uma menina de espírito filosófico que foi buscar na natureza a resposta para uma de suas questões metafísicas: seria o mundo naturalmente injusto?

Seguem algumas anotações de seu caderno de campo:
Inverno de 2009.

Um peixe nadava alegremente, sem fazer mal a ninguém, quando veio do céu, inesperadamente, uma linda gaivota e lhe devorou.

Por que, meu Deus, por que? Existiria uma guerra natural entre céu e mar?

Outro peixe foi buscar abrigo em uma toquinha (acredito que para se recuperar da dramática cena anterior), quando foi friamente devorado PELA PRÓPRIA TOCA!

Como assim, meu Deus, como assim?

Uma reflexão: a aparentemente pacata vida marinha é, na verdade, uma enorme batalha, na qual a criativa solução do polvo de se defender soltando tinta mais parece brincadeira de criança.

Conclusão de hoje: não há paz e nem justiça no mar.
Não houve novas anotações esse dia. É que Helena, partindo de sua conclusão sobre o mar, pensou também nas zebrinhas listradas sendo devoradas por oncinhas pintadas e... Não! Recusava-se pensar na frenética vida dos coelhinhos peludos. Era demais!

Recorreu, então, ao seu sábio e fiel amigo Darwin. Ele, como sempre, veio com excelentes argumentos:
- Helena, procure compreender, estavam todos com fome.
- Pelo amor de Deus, Darwin! Você já ouviu falar em maça?
- Bem, a opção de um mundo vegetariano não me parece exatamente justo com as plantas.
- Oh céus, pobres plantas... Não adianta, Darwin: eu não vou me adaptar!

Mesmo sem saber, Darwin retomara sua questão original: justiça. Helena até concordava com o atenuante da fome, mas o que dizer dos dilúvios, terremotos e vulcões? Ela estava mais do que convencida de que o mundo, embora belo, era naturalmente injusto e o melhor a fazer era aceitar isso. Retomou, assim, suas anotações de campo:
Ainda inverno de 2009.

O mundo, embora muito belo, é naturalmente injusto.

Outra reflexão: sendo assim, de onde vem o nada sábio desejo de justiça?

A reflexão foi interrompida por um grito gutural. É que Tomás, seu irmão mais novo, chegara ao jardim trazendo uma única e deliciosa barra de chocolate. O surpreendente é que o grito vinha da própria Helena, que sentenciava:

- Tomás, se você divide, eu escolho!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Esperança Já!

Vinha eu já quase pegando as escadas do meu prédio, quando fui abordada por uma senhorinha, bem senhorinha mesmo, com um bolo de papéis dobradinhos em sua mão. Ela estendeu a mão e meu deu um dos papéis, dizendo já ter colocado o mesmo na minha caixa de correio, e que se eu concordasse com a idéia, mas só se eu realmente concordasse com a idéia!, eu deveria aderir (?!).

Abri o papel, e lá tava escrito:

"7 de setembro - às 17 horas

Movimento em prol da moralização na política, sem coloração partidária.

- Se mobilize, mobilize sua escola, seu sindicato, sua igreja, seus amigos, seus colegas.

Faça parte dessa corrente de ação nacional. Que todos, de todas as camadas sociais, de todos os recantos deste Brasil dela participem.

Estenda na janela uma bandeira, uma toalha, um pano qualquer.

Bata panelas! Toque cornetas! Buzine! Promova desfiles!Passeatas! Faça a nação vibrar de indignação diante de tanta corrupção, diante de tantas mentiras!!!"

Eu já sei o que alguns de vocês pensam sobre este tipo de manifestação, mas não tive como não me emocionar diante da atitude dessa senhorinha. À beira de seus 80 anos ainda não perdeu a capacidade de se indigar nem de agir (imprimindo, dobrando e distribuindo panfletinhos pelo prédio).

E não é assim, cada um fazendo sua parte que iremos construir uma sociedade melhor?!

P.S. Fau, ainda não achei a minha estória de consumidora satisfeita, mas tenho a minha estória de cidadã satisfeita: o nosso prefeito cumpriu com o prometido na campanha e demoliu os arcos do obelisco em Ipanema. E não é incrível isso? Político cumprindo promessa?!....
P.S.2: Tá, agora vamos esperar pelo cumprimento de promessas mais relevantes na área de saúde e educação.