Eu acho que todo mundo já se sentiu profundamente só em alguns momentos da vida. Aquele sentimento de solidão que lhe dá a impressão de que você está sozinho vendo o seu entorno como um filme, onde você não tem papel algum. Aquela certeza de que você foi esquecido pelos seus companheiros ETs e, a qualquer momento, a nave-mãe vai voltar para lhe salvar desse lugar, ao qual você definitivamente não pertence.
Então, senti tudo isso (e mais uma pouco) durante uma festa neste sábado, para a qual fui gentilmente convidada pela minha mais nova-amiga-de-infância. O convite prometia uma noite super bacana com gente descolada. Eram 4 aniversariantes todos por volta dos seus 35 anos, ou seja, nada de pirralhos chatos. O local era o clube Guanabara que, apesar de super decadente, tem lá seu encanto pela localização e por um comprido pier que avança na enseada de Botafogo.
Chegando lá, olhei em volta e senti que alguma coisa estava fora da ordem (da minha "ordem" pelo menos). Eram homens e mulheres de todos os tipos e vestimentas. Pela estética, alguns moravam bem "longe", outros tinham vindo diretamente da Eco-92 (esses até ganharam a minha simpatia, confesso), um grupo tinha acabado de sair do Projac e tinham aqueles que muito provavelmente estavam chegando de São Paulo com suas camisas pólos para dentro da calça.
Com o tempo mais e mais pessoas foram chegando e a festa, inicialmente total mistureba e nada a ver com nada, foi tomando forma até que ficou tudo muito claro: eu estava em campo minado, no meio de uma guerra suja, porque a festa era de solteiros!!! E posso dizer pra vocês o exato momento da minha clarividência: a maldita música - e hino - "Solteiro no Rio de Janeiro".
"UUuuuhuuuuuuu!" Foi só o que ouvi quando a música começou a tocar, para o meu total desespero. Eu que estava animadamente dançando não consegui me mover mais. Olhava para os lados, e tudo que via eram homens alisando suas barrigas e a mulherada rebolando até o chão.
Juro pra vocês que tentei desesperadamente fazer contato com a nave-mãe, mas parece que a fumaça de cigarro do ar impediu que as minhas vibrações chegassem até ela. Fato é que fiquei ali, paralisada, até que uma voz no meu cangote me tirou do transe "pô, gatinha, acabou a bateria?" Olhei pra criatura parada do meu lado, e pensei se eu abria meu coração pra, carinhosamente, confessar que eu ODIAVA aquela música, ou se simplesmente dava um sorriso. Fiquei com a útima opção, porque a verdade é que eu estava só, em território inimigo.
E a partir daí a noite transcorreu com muito suor, muitas pessoas bêbadas esvaziando seus copos em cima das outras (a cada música lasciva que tocava), homens à caça e mulheres à procura. E eu no meio de tudo isso.
Em uma determinada hora, comecei a procurar por algum rosto amigo, alguém com quem eu pudesse trocar um simples olhar de empatia, de compaixão, mas a única pessoa conhecida que avistei foi uma ex-paixão minha (meudéus! onde eu estava com a cabeça?) que estava enlouquecidamente dando em cima de cada criatura com saia que passava. Não só não fui falar com ele, como passei a me esconder. Achei que seria melhor não interromper esse momento "macho em caça". Definitivamente não queria ser a responsável por ele voltar com fome pra casa.
Uma hora desisti de negar a minha condição de Flicts e resolvi ir embora. No caminho até a rua a situação era realmente devastadora, de uma verdadeira guerra: pessoas caídas bêbadas, vomitando sem parar.
Então, senti tudo isso (e mais uma pouco) durante uma festa neste sábado, para a qual fui gentilmente convidada pela minha mais nova-amiga-de-infância. O convite prometia uma noite super bacana com gente descolada. Eram 4 aniversariantes todos por volta dos seus 35 anos, ou seja, nada de pirralhos chatos. O local era o clube Guanabara que, apesar de super decadente, tem lá seu encanto pela localização e por um comprido pier que avança na enseada de Botafogo.
Chegando lá, olhei em volta e senti que alguma coisa estava fora da ordem (da minha "ordem" pelo menos). Eram homens e mulheres de todos os tipos e vestimentas. Pela estética, alguns moravam bem "longe", outros tinham vindo diretamente da Eco-92 (esses até ganharam a minha simpatia, confesso), um grupo tinha acabado de sair do Projac e tinham aqueles que muito provavelmente estavam chegando de São Paulo com suas camisas pólos para dentro da calça.
Com o tempo mais e mais pessoas foram chegando e a festa, inicialmente total mistureba e nada a ver com nada, foi tomando forma até que ficou tudo muito claro: eu estava em campo minado, no meio de uma guerra suja, porque a festa era de solteiros!!! E posso dizer pra vocês o exato momento da minha clarividência: a maldita música - e hino - "Solteiro no Rio de Janeiro".
"UUuuuhuuuuuuu!" Foi só o que ouvi quando a música começou a tocar, para o meu total desespero. Eu que estava animadamente dançando não consegui me mover mais. Olhava para os lados, e tudo que via eram homens alisando suas barrigas e a mulherada rebolando até o chão.
Juro pra vocês que tentei desesperadamente fazer contato com a nave-mãe, mas parece que a fumaça de cigarro do ar impediu que as minhas vibrações chegassem até ela. Fato é que fiquei ali, paralisada, até que uma voz no meu cangote me tirou do transe "pô, gatinha, acabou a bateria?" Olhei pra criatura parada do meu lado, e pensei se eu abria meu coração pra, carinhosamente, confessar que eu ODIAVA aquela música, ou se simplesmente dava um sorriso. Fiquei com a útima opção, porque a verdade é que eu estava só, em território inimigo.
E a partir daí a noite transcorreu com muito suor, muitas pessoas bêbadas esvaziando seus copos em cima das outras (a cada música lasciva que tocava), homens à caça e mulheres à procura. E eu no meio de tudo isso.
Em uma determinada hora, comecei a procurar por algum rosto amigo, alguém com quem eu pudesse trocar um simples olhar de empatia, de compaixão, mas a única pessoa conhecida que avistei foi uma ex-paixão minha (meudéus! onde eu estava com a cabeça?) que estava enlouquecidamente dando em cima de cada criatura com saia que passava. Não só não fui falar com ele, como passei a me esconder. Achei que seria melhor não interromper esse momento "macho em caça". Definitivamente não queria ser a responsável por ele voltar com fome pra casa.
Uma hora desisti de negar a minha condição de Flicts e resolvi ir embora. No caminho até a rua a situação era realmente devastadora, de uma verdadeira guerra: pessoas caídas bêbadas, vomitando sem parar.
Quando entrei no taxi, olhei pro céu e vi a lua -- minha única amiga e testemunha -- e pensei sobre a minha condição de solteira e das situações que muitas vezes temos que passar enquanto o momento "troca de alianças" não vem. Mas, pela primeira vez em muito tempo, dei graças a deus por estar, enfim, só.
3 comentários:
Quel, nunca me esqueço de um dia de solidão em que liguei para minha irmã e perguntei: "Zazá, se uma nave parar, estender aquela esteirinha e te convidar para embarcar, você entra?" Ela respodeu sem hesitar: "Claro, sem olhar para trás." E emendou: "Está tudo bem? O que você está fazendo?". Eu respondi: "Estou bem. Estou na varanda piscando uma laterna para o céu." Escrevo isso para te lembrar que você não está sozinha. Estamos juntas, companheira!
beijos,
Zé
Fau, devo confessar que senti muita falta da confraria do limão. Ahh bons tempos aqueles onde os ETs estavam sempre juntos. =) É aquela estória: pinguim que sai da marcha, morre de frio (risos).
Como eu sempre digo pra minha sócia dessa confraria... tenho certeza que esses limões dão uma bela, doce e refrescante limonada... é tudo uma questão de aceitar o azedinho de cada uma....
Relaxa, curta a curta vida...alguem uma dia alcança voce e acaba andando do teu lado...
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