Clara abriu os olhos. Era uma daquelas manhães em que o céu se mostrava infinitamente azul, sem uma só nuvem para distrair. O sol com seus raios quentes enchia de brilho e força tudo que abraçava, e a brisa fria soprava suave e lentamente.
Levantou e sentou à beira da cama sem tirar os olhos do dia que, como um quadro, via emoldurado pela janela do seu quarto. Levou à mão ao peito e respirou profundamente. Clara estava grávida fazia já alguns meses, mas não lhe crescia uma criança. Clara estava grávida de amor. Um amor que sentia maior todos os dias, tomando-lhe o ventre, o peito, as vértebras, o pulmão. Às vezes Clara se preocupava, será que aquele amor todo lhe mataria?
Desde que entrou na adolescência, vinha se preparando para aquele momento sem nem mesmo perceber. A gravidez, há tanto tempo inconscientemente desejada, agora tinha finalmente acontecido. Tinha vivido alguns relacionamentos ao longo dos anos. Foram muitas as reflexões, ajustes, e podas. Perdeu as contas de quantas vezes se perdeu e se achou em si mesma, num eterno transformar.
Até que um dia, Clara acordou e se estranhou; ela estava diferente. Sentia uma inquietação, uma angústia muito distinta de todas as outras perturbações d'alma pelas quais já havia passado. Tal como a lagarta que muda de cor e de forma para se descobrir borboleta, a mudança era estrutural. Clara não se reconhecia mais. Olhava tudo e todos a seu redor, e o gosto que sentia na boca era outro. Os cheiros, as texturas, os sorrisos. Não! como era possível que de uma hora para outra o seu mundo tivesse mudado tanto?!
Passaram-se os dias, os meses, e um dia Clara finalmente percebeu: era a sua gravidez de amor que havia a transformado, e que fazia com que seus olhos enxergassem o até então não visto. A angústia que sentia era o amor que lhe crescia, roubando-lhe espaços internos, tirando-lhe o ar. Sim, o mundo podia ser belo, verdadeiramente belo, ela só precisava parir.
Levantou e sentou à beira da cama sem tirar os olhos do dia que, como um quadro, via emoldurado pela janela do seu quarto. Levou à mão ao peito e respirou profundamente. Clara estava grávida fazia já alguns meses, mas não lhe crescia uma criança. Clara estava grávida de amor. Um amor que sentia maior todos os dias, tomando-lhe o ventre, o peito, as vértebras, o pulmão. Às vezes Clara se preocupava, será que aquele amor todo lhe mataria?
Desde que entrou na adolescência, vinha se preparando para aquele momento sem nem mesmo perceber. A gravidez, há tanto tempo inconscientemente desejada, agora tinha finalmente acontecido. Tinha vivido alguns relacionamentos ao longo dos anos. Foram muitas as reflexões, ajustes, e podas. Perdeu as contas de quantas vezes se perdeu e se achou em si mesma, num eterno transformar.
Até que um dia, Clara acordou e se estranhou; ela estava diferente. Sentia uma inquietação, uma angústia muito distinta de todas as outras perturbações d'alma pelas quais já havia passado. Tal como a lagarta que muda de cor e de forma para se descobrir borboleta, a mudança era estrutural. Clara não se reconhecia mais. Olhava tudo e todos a seu redor, e o gosto que sentia na boca era outro. Os cheiros, as texturas, os sorrisos. Não! como era possível que de uma hora para outra o seu mundo tivesse mudado tanto?!
Passaram-se os dias, os meses, e um dia Clara finalmente percebeu: era a sua gravidez de amor que havia a transformado, e que fazia com que seus olhos enxergassem o até então não visto. A angústia que sentia era o amor que lhe crescia, roubando-lhe espaços internos, tirando-lhe o ar. Sim, o mundo podia ser belo, verdadeiramente belo, ela só precisava parir.
3 comentários:
Adorei o conto.O nome Clara foi escolhido com muita precisão.Matéria transparente que possibilita mudanças.Gravidez de amor deve provocar muito estranhamento,mas ao parir tudo fica mais claro.O mundo pode ficar melhor e Clara mais inteira!
Parabéns Raquel!
"Tornar o amor real é expulsá-lo de voce pra que ele possa ser de alguém..." NANDO REIS
até me arrepiei =) you got it!
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