Aconteceu de Novo...
Tocou a campainha e lá estava ele, um entregador que tinha medo de cachorro. Até aí tudo indicava que seria mais uma entrega ordinária.
Mas aquela era uma farmácia diferente, primeiro porque eu estava na casa de meus pais; mas, principalmente, porque lá trabalhava o entregador que tinha medo de cachorro. Ao fazer o pedido por telefone, informei categoricamente que pagaria
Sem opção melhor, fiz uma conta por alto, peguei todo o dinheiro que tinha na carteira e atendi a porta confiante de que tudo daria certo. Driblei os dois cachorros de meus pais e abri o portão ansiosa para perguntar: “moço, quanto deu mesmo?”.
Para a minha surpresa, tive antes que encontrar o acuado entregador. Aquela imagem me quebrou e optei por um preâmbulo:
- Medo de cachorro, é?
Ele então me olhou com muita sabedoria e respondeu:
-Melhor não arriscar. A gente nunca sabe.
Só me restava concordar e ir direto ao ponto:
- É... Moço, quanto deu mesmo?
Veio a resposta e eu percebi que faltavam cinqüenta míseros centavos, além da habitual gorjeta. Por puro reflexo, tentei a sorte:
- Moço, posso ficar te devendo cinqüenta centavos?
Ele ponderou e respondeu com muita firmeza, já saindo:
- Fique tranqüila, eu intero do meu bolso.
Eu, em estado de choque, só consegui falar:
- Não, por favor, espere um minuto.
Entrei novamente na casa dos meus pais, tomando cuidado para os cachorros não fugirem, claro, e comecei a procurar. Havia de ter uma moeda em algum lugar. Encontrei, porém, o meu cunhado, que solidário com a minha busca e emocionado com a história do raro entregador me deu dez vezes mais do que o valor procurado!
Corri ao encontro do entregador, que ao ver a nota que eu trazia disse:
- Que isso, moça? Não precisava. É muita gentileza.
Respondi sem pestanejar:
- Nem vem. Foi você quem começou.
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