VAMOS DEIXAR O PESSIMISMO PARA DIAS MELHORES!
Nada mais chato do que ouvir os relatos de pessoas revoltadas com prestadores de serviços como TV por assinatura, operadoras de celulares, cartões de crédito etc. Recentemente eu tive uma experiência bizarra com uma atendente da Sky, que não se conformou do meu CPF ter uma seqüência de “35” e desistiu do atendimento alegando: ”faltam dois números, senhora, o que, infelizmente, inviabiliza a continuação do atendimento. Mas a Sky agradece...”. Foi desagradável, claro, mas gerou em mim um sentimento até então inimaginável: saudades da Net!
Mas a intenção aqui não é compartilhar essas histórias. Pois, por mais carregadas de finíssimo humor que algumas sejam, são histórias chatas pela freqüência com que ocorrem em nossas vidas. Então, numa época em que a regra do bom atendimento virou exceção, só nos resta mudar o rumo de nossas prosas e acreditar que tempos melhores virão!
Sendo assim, proponho aqui uma coluna dedicada a relatos dos raros e emocionantes casos de bom atendimento. Por incrível que pareça, tenho uma experiência recentíssima para compartilhar:
Mas a intenção aqui não é compartilhar essas histórias. Pois, por mais carregadas de finíssimo humor que algumas sejam, são histórias chatas pela freqüência com que ocorrem em nossas vidas. Então, numa época em que a regra do bom atendimento virou exceção, só nos resta mudar o rumo de nossas prosas e acreditar que tempos melhores virão!
Sendo assim, proponho aqui uma coluna dedicada a relatos dos raros e emocionantes casos de bom atendimento. Por incrível que pareça, tenho uma experiência recentíssima para compartilhar:
Paulo, o Profissional Responsável
Não chovia muito, mas era domingo a noite e a loja, localizada na longínqua e populosa Barra da Tijuca, transbordava de gente disposta a matar ou morrer por um jogo americano. Estávamos eu, o senhor meu marido e nosso rebento de um ano e três meses, que gritava muito.
Escolhemos nossos parcos itens e encaramos a batalha maior: a fila para pagar. Considerando as condições, saímos vitoriosos – ou seja, sem brigar! Chegando em casa, porém, em vez do sono dos justos, a surpresa maior: uma cortininha, que curiosamente havia motivado a nossa ida a guerra, tinha sido esquecida na loja, provavelmente em função de algum rompante do pequeno Gabriel.
Vejam bem, não estamos tratando de uma cortina de seda pura ou algo de mais valia. Era uma barata esteirinha enrolada, mas que, devido ao sofrimento envolvido em sua aquisição, tinha para nós um valor emocional inestimável.
De nada adiantaram as tentativas de consolo de meu marido. Eu estava devastada. Ele, que não é religioso, desesperado, ligou para a loja, às 21h30 da noite a espera de um milagre. Os fatos que se seguiram são extraordinários, porém reais, e serão narrados na seqüência em que ocorreram:
Escolhemos nossos parcos itens e encaramos a batalha maior: a fila para pagar. Considerando as condições, saímos vitoriosos – ou seja, sem brigar! Chegando em casa, porém, em vez do sono dos justos, a surpresa maior: uma cortininha, que curiosamente havia motivado a nossa ida a guerra, tinha sido esquecida na loja, provavelmente em função de algum rompante do pequeno Gabriel.
Vejam bem, não estamos tratando de uma cortina de seda pura ou algo de mais valia. Era uma barata esteirinha enrolada, mas que, devido ao sofrimento envolvido em sua aquisição, tinha para nós um valor emocional inestimável.
De nada adiantaram as tentativas de consolo de meu marido. Eu estava devastada. Ele, que não é religioso, desesperado, ligou para a loja, às 21h30 da noite a espera de um milagre. Os fatos que se seguiram são extraordinários, porém reais, e serão narrados na seqüência em que ocorreram:
- O telefone da loja foi atendido;
- A pessoa que atendeu era muito educada e se dispôs a passar a ligação imediatamente para o profissional responsável. “Profissional responsável?!?!”, bufafa eu ao lado do telefone enquanto o meu marido tentava estabelecer um diálogo com o seu interlocutor (eu sei que isso é insuportável. Eu sei, eu sei...).
- Na seqüência veio Paulo (infelizmente não sabemos o sobrenome desse grande homem). Ele se apresentou, explicou brevemente a complexidade da situação - faltavam 30 minutos para a loja fechar, eles estavam em guerra etc etc. Depois de colocados os riscos envolvidos, pegou todos os dados da nossa cortininha perdida (inclusive seu baixo preço!) e apresentou o plano de ação: aguardaria mais um pouco por alguma ocorrência nos achados e perdidos (“Rá”, bufafa eu...); e, se não aparecesse, PASMEM, pediria uma contagem do item no estoque após o fechamento da loja para identificar uma possível devolução da mercadoria. De qualquer forma, nos daria um retorno o mais breve possível... (nesse momento, eu lançava pérolas como “e o coelhinho da páscoa etc”. Eu sei, gente. Eu sei...);
- Sem mais opções, resolvemos beber e praticar o desapego, afinal era só cortininha...
- Às 22 horas toca o celular. Paulo, é claro, já não existia mais em nossas mentes. É que, certos de que ele havia desligado o telefone, rido à beça de nossa ingenuidade e falado coisas como “sabe o que esse casal da cortininha tem mais do que eu???” tratamos de eliminá-lo de nossas vidas rapidamente. O número que aparecia no celular era confidencial, o que nos fez relutar em atender, mas poderia ser alguém precisando de alguma coisa etc etc.
- Para nossa completa perplexidade: era Paulo! Ele, o “profissional responsável” (com todos os trocadilhos, por favor), não havia descansado até encontrar a nossa humilde esteirinha enrolada. Paulo se desculpou pela hora do telefonema (!), mas não aguentaria esperar o dia seguinte para nos dar a boa notícia (juro que tive vontade de chorar nesse momento).
No dia seguinte, gastamos mais em gasolina do que o valor da cortina para buscá-la. Mas já não tinha mais preço. Fomos movidos pela esperança de avistar, mesmo que de longe, esse raro ser humano: Paulo!
Nota do autor: esse é um elogio explícito a pessoa de Paulo, o profissional responsável. Não deve, em nenhuma hipótese, se estendido à loja em questão. Não tenho nada contra a tal loja, mas é que não acredito mais em pessoas jurídicas. Elas são muito estranhas.
3 comentários:
...e no dia seguinte Paulo foi demitido por justa causa...
Porque tanta mágoa nesse coração, meu Deus? É como disse um grande professor e eu reproduzi na abertura da coluna: "vamos deixar o pessimismo para tempos melhores".
Eleve-se alto ao céu e narre a sua história de um bom atendimento!
beijos,
Desculpa Fafau... nao quis ser pessimista a esse ponto... é só que parece as vezes que essas lojas treinam os funcionarios pra te atenderem mal.
Já diria Calvin: "Nao faça nada bem feito para que nao te peçam para fazer de novo"... é quase isso...
Dito isso fundarei um novo movimento no próximo post!
Bjos
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