− Os livros da ditadura! – exclamou, já se envergonhando por seu entusiasmo quase infantil diante de uma coisa tão séria – Sempre quis ler, mas... – calou-se, pensando na lista de cerca de 150 livros que sempre quisera ler, mas...
Aí, Lucia pensou na democracia e veio à sua mente um turbilhão de nomes, imagens e acontecimentos – Sarney, Collor, FHC, Lula e, finalmente, Sarney, de novo... O Tancredo morto; Coração de Estudante; as pessoas se abrigando da chuva sob o bandeirão em Brasília; o Sarney e o bigode mexicano; o Cruzado; a Maria da Conceição Tavares chorando por causa do Cruzado (!?!?); o Funaro tentando explicar a demanda e a oferta, parecendo o romano do “Obelix e Cia”; a tablita; a Sunab, e os fiscais; a Jandira Feghali antes do creme sem enxágue gritando “Delegada neles”; as donas de casa “fechando esse estabelecimento em nome do meu presidente”; o confisco; a Zélia; a Zélia namorando o Bernardo Cabral; a Zélia casando com o Chico Anísio (!!!); o Magri; o PC Farias; o PC Farias morto num crime passional (ah, tá...); os cara-pintadas por causa da série da Globo; o impeachment; o topete do Itamar; o Itamar no camarote dos bicheiros com a Lilian Ramos sem calcinha e o Maurício Correia; o Maurício Correia Ministro da Justiça; o Maurício Correia Ministro do STF; os anões do orçamento; o ACM presidente do Senado; os sobretudos do Fernando Henrique; o Fernando Henrique e a intelectualidade; o Fernando Henrique e a Sorbonne; o Fernando Henrique quase triste por não ter nascido francês; a Vale e a CSN vendidas sem que ninguém tenha entendido direito o porquê; o escândalo da reeleição; o escândalo da venda das teles e o presidente não sabendo de nada; o escândalo do mensalão; o Zé Dirceu; o Palocci e o caseiro; o Delúbio Soares; os dólares na cueca; o Jacinto Lamas; (nome que, no fim das contas, resume o que o PT se tornou); e o presidente não sabendo de nada; e agora tudo culminado drasticamente no Sarney de novo, o homem que foi o símbolo da Nova República, mas que vinha de uma República mais velha do que a sua avó.
De repente, Lucia parou. Não tinha certeza de quanto tempo havia durado o transe.
− Bem, não sei se são três livros mesmo – disse, afinal – Mas com certeza faltou um. “A Ditadura Debochada”.
− Debochada? − perguntou Sérgio.
− É. Dessa merda de democracia que veio depois.
*Marie é obviamente democrata e admira todo mundo que lutou contra a ditadura. Mas ficaria muito puta se tivesse pegado em armas pelo direito do Sarney de governar o Senado.
* Lucia se confundiu. Há um quarto livro - "A Ditadura Encurralada".
3 comentários:
Marie querida, seja muito bem-vinda! Que bom que você se juntou a nós. Fiquei feliz. Manda um beijo pro Sérgio ;-)
Marie, sinceramente, só você poderia ter rememorado, em um único parágrafo, todos esses eventos! Senti falta do hino interpretado pela Fafá de Belém...Bjs e sinta-se em casa.
Ju,
acho que, pro texto da Marie, o melhor é o Hino interpretado pela Vanusa ;-)
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