Elefantes no Campo de Morangos
Esse blog nasceu para ser construído coletivamente por pessoas que não se levam a sério.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Seria Simples Assim
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Tiriricas da Alma
Conheci muita gente interessante (até o neto bastardo do meu bisavô...), dancei ciranda sob a lua, pratiquei meditação angelical (que de angelical não tem nada já que se assemelha muito a uma rave, sem drogas, naturalmente) fiz mandalas coletivas, limpei alfaces, cortei cenouras, lavei muita louça, limpei o centro comunitário, e cuidei da horta. E foi cuidando da horta que tive inspiração para fazer esse post.
O trabalho do grupo era muito simples: deveríamos tirar as tiriricas que cresciam freneticamente no canteiro das ervas medicinais. Uma pausa aqui do tipo “Você sabia?” para explicar que tiriricas são ervas que matam outras ervas, pois crescem muito rapidamente e acabam sufocando as outras plantas ao redor. Mas não podemos dizer que as tiriricas são de todo mal porque a “batata” da tiririca – que fica no final de sua raiz e é com se fosse o seu coração – é ótima para fazer chá e ser tomado por quem tem cálculo renal.
Nossa função então era retirar as tiriricas com todo cuidado e amor, para não deixar suas batatas na terra, porque assim as tiriricas acabam crescendo mais fortalecidas, e também porque precisávamos das batatas para fazer o chá medicinal.
Falando assim parece fácil, mas não foi nada, nada fácil. Isso porque as tiriricas parecem graminhas simples e singelas e frágeis, mas possuem raízes super fortes e profundas. Na menor distração e cuidado, elas se partem deixando a raiz e as procuradas batatas, na terra. Fora isso, as tiriricas eram muitas; ao ponto de eu achar sinceramente que quem estava fora de lugar na horta eram o alecrim e o manjericão. Mas o foco eram as tiriricas, e lá fui eu tiririca por tiririca, sob um sol escaldante.
Não sei se foi o calor ou o cansaço, mas em um determinado momento vi com muita clareza que nossas almas, assim como aquela horta, também são infestadas de tiriricas. A cada dia deixamos que mais e mais tiriricas cresçam dentro de nós, sufocando sentimentos de amor, de compaixão, de alegria, de generosidade, de serenidade. Quando brigamos com alguém e ficamos magoados e ressentidos: olha aí as tiriricas crescendo. Quando temos raiva e somos cruéis com as pessoas, agindo com agressividade ou dureza: mais tiriricas. Quando damos espaço para que o medo cresça ao invés de dar espaço para o amor: tiririca, tiririca, tiririca. Quando deixamos de olhar para o outro com atenção, quando somos egoístas, possessivos, quando esquecemos de tentar compreender verdadeiramente o próximo.... fato é que de tiririca em tiririca vamos nutrindo dentro de nós um jardim bem grande e repleto delas.
Da mesma forma que não foi nada fácil arrancar as tiriricas com as suas batatas, também não é nada fácil arrancar as tiriricas da alma. Muitas vezes olhamos para as nossas tiriricas internas e pensamos que elas são um nada, um simples matinho inofensivo que por lá cresceu. Mas com o tempo – e com seu cultivo através de nossas ações e pensamentos – elas vão crescendo e crescendo e vão sufocando sentimentos tão lindos e puros, existentes em todos nós.
Saí do meu retiro de ano novo com uma lição: prestar mais atenção às tiriricas da minha’lma. Que bom seria se eu não as plantasse! Mas uma vez lá em crescimento, deverei olhá-las com muito cuidado e atenção -- sem rejeitá-las ou arrancá-las superficialmente -- e retirá-la, uma a uma, de forma inteira.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Meditação
João cruza a sala. Anna abre os olhos.
-- E, aí, Anna, meditou?
-- Meditei..... João, você devia meditar também, sabia? Você é muito nervosinho. Meditar traz a maior paz, impressionante.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Silêncio, por favor
Não busques o futuro.
O passado, passou.
O futuro ainda não chegou.
Vê, claramente, diante de ti o Agora,
quando tiveres encontrado
e vivereis o tranquilo e imóvel estado mental”.
(Siddhartha Gautama)
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Todo mundo acha que pode...
Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta.
Todo mundo tem razão e vence sempre na hora certa.
Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota.
Todo homem tem voz grossa e tem pau grande,
E é maior do que o meu, do que o seu, do que o do Pedro Sá
Todo mundo é referência e se compara só pra ver que é melhor.
Todo mundo é mais bonito do que eu mas eu sou mais que todos.
Todo mundo tem suingue, é feliz, é forte e sabe sambar.
Todos querem mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor porque:
Eu sou melhor que você, Boa viagem.
Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém
Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque,
é charmoso não saber algo que todas as pessoas já sabem como é.
Todo mundo é especial, é original, é o que todos queriam ser.
Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer.
Todo mundo ganha grana pra dizer que ela não vale nada.
Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada.
Todos querem se apaixonar sem se arriscar, nem se expor e nem sofrer.
Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputação,
Se reprimem e começam a dizer:
Eu sou melhor que você.
Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém!
É melhor que você,
Mais ninguém é melhor que você.
Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
As cores bonitas.... 002
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm
outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino. "
Enfim...só?!
Então, senti tudo isso (e mais uma pouco) durante uma festa neste sábado, para a qual fui gentilmente convidada pela minha mais nova-amiga-de-infância. O convite prometia uma noite super bacana com gente descolada. Eram 4 aniversariantes todos por volta dos seus 35 anos, ou seja, nada de pirralhos chatos. O local era o clube Guanabara que, apesar de super decadente, tem lá seu encanto pela localização e por um comprido pier que avança na enseada de Botafogo.
Chegando lá, olhei em volta e senti que alguma coisa estava fora da ordem (da minha "ordem" pelo menos). Eram homens e mulheres de todos os tipos e vestimentas. Pela estética, alguns moravam bem "longe", outros tinham vindo diretamente da Eco-92 (esses até ganharam a minha simpatia, confesso), um grupo tinha acabado de sair do Projac e tinham aqueles que muito provavelmente estavam chegando de São Paulo com suas camisas pólos para dentro da calça.
Com o tempo mais e mais pessoas foram chegando e a festa, inicialmente total mistureba e nada a ver com nada, foi tomando forma até que ficou tudo muito claro: eu estava em campo minado, no meio de uma guerra suja, porque a festa era de solteiros!!! E posso dizer pra vocês o exato momento da minha clarividência: a maldita música - e hino - "Solteiro no Rio de Janeiro".
"UUuuuhuuuuuuu!" Foi só o que ouvi quando a música começou a tocar, para o meu total desespero. Eu que estava animadamente dançando não consegui me mover mais. Olhava para os lados, e tudo que via eram homens alisando suas barrigas e a mulherada rebolando até o chão.
Juro pra vocês que tentei desesperadamente fazer contato com a nave-mãe, mas parece que a fumaça de cigarro do ar impediu que as minhas vibrações chegassem até ela. Fato é que fiquei ali, paralisada, até que uma voz no meu cangote me tirou do transe "pô, gatinha, acabou a bateria?" Olhei pra criatura parada do meu lado, e pensei se eu abria meu coração pra, carinhosamente, confessar que eu ODIAVA aquela música, ou se simplesmente dava um sorriso. Fiquei com a útima opção, porque a verdade é que eu estava só, em território inimigo.
E a partir daí a noite transcorreu com muito suor, muitas pessoas bêbadas esvaziando seus copos em cima das outras (a cada música lasciva que tocava), homens à caça e mulheres à procura. E eu no meio de tudo isso.
Em uma determinada hora, comecei a procurar por algum rosto amigo, alguém com quem eu pudesse trocar um simples olhar de empatia, de compaixão, mas a única pessoa conhecida que avistei foi uma ex-paixão minha (meudéus! onde eu estava com a cabeça?) que estava enlouquecidamente dando em cima de cada criatura com saia que passava. Não só não fui falar com ele, como passei a me esconder. Achei que seria melhor não interromper esse momento "macho em caça". Definitivamente não queria ser a responsável por ele voltar com fome pra casa.
Uma hora desisti de negar a minha condição de Flicts e resolvi ir embora. No caminho até a rua a situação era realmente devastadora, de uma verdadeira guerra: pessoas caídas bêbadas, vomitando sem parar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A Meta
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Clara
Levantou e sentou à beira da cama sem tirar os olhos do dia que, como um quadro, via emoldurado pela janela do seu quarto. Levou à mão ao peito e respirou profundamente. Clara estava grávida fazia já alguns meses, mas não lhe crescia uma criança. Clara estava grávida de amor. Um amor que sentia maior todos os dias, tomando-lhe o ventre, o peito, as vértebras, o pulmão. Às vezes Clara se preocupava, será que aquele amor todo lhe mataria?
Desde que entrou na adolescência, vinha se preparando para aquele momento sem nem mesmo perceber. A gravidez, há tanto tempo inconscientemente desejada, agora tinha finalmente acontecido. Tinha vivido alguns relacionamentos ao longo dos anos. Foram muitas as reflexões, ajustes, e podas. Perdeu as contas de quantas vezes se perdeu e se achou em si mesma, num eterno transformar.
Até que um dia, Clara acordou e se estranhou; ela estava diferente. Sentia uma inquietação, uma angústia muito distinta de todas as outras perturbações d'alma pelas quais já havia passado. Tal como a lagarta que muda de cor e de forma para se descobrir borboleta, a mudança era estrutural. Clara não se reconhecia mais. Olhava tudo e todos a seu redor, e o gosto que sentia na boca era outro. Os cheiros, as texturas, os sorrisos. Não! como era possível que de uma hora para outra o seu mundo tivesse mudado tanto?!
Passaram-se os dias, os meses, e um dia Clara finalmente percebeu: era a sua gravidez de amor que havia a transformado, e que fazia com que seus olhos enxergassem o até então não visto. A angústia que sentia era o amor que lhe crescia, roubando-lhe espaços internos, tirando-lhe o ar. Sim, o mundo podia ser belo, verdadeiramente belo, ela só precisava parir.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Ouvir Estrelas (Olavo Bilac)
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
"E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Me contaram...002
Alergia
Ele subia degrau por degrau ainda pensando no que ia falar pra ela.
Na noite anterior não tinha conseguido nem dormir, o coitado.
Tinha errado sim, mas foi no impulso, sem querer. Achou que pra ela, não faria diferença.
_Ela nunca tinha ligado pra isso mesmo!_Pensava alto e parecia que ia desabar a qualquer momento.
Parou no meio, pensou em descer, preferiu esperar mais um pouco. Respirou fundo! Tirou a gravata, ele não precisava disso, a gravata não ia fazer diferença.
Ele suava, em bicas. Tinha acabado de tomar banho não tinha nem vinte minutos. Era nervoso, ele não era de suar assim.
Sentou! Algumas pessoas passaram perguntando se estava tudo bem. “Porque? To parecendo doente? Com que cara eu to? Eu to bem, pô!” Ele pensava mais que falava, na verdade nem falava, só respondia com um abano de cabeça, ou um leve gesto de sobrancelhas. Mas suava, em bicas.
Não ia subir mais, estava decidido. Desceu, encostou no carro. Tirou do bolso a carta que tinha escrito no dia anterior. Escrito não, digitado e impresso, até porque, nervoso do jeito que estava, não ia conseguir escrever uma linha reta.
Releu, achou uma bosta. Estava tenso quando escreveu, só agora via que não tinha escrito nada com nada. Simplesmente palavras soltas no papel que agora já estava até meio amassado da viagem de ônibus até a Rua do Meio, onde ela morava.
Pensou em ir embora de uma vez, mas voltou atrás, tinha que falar com ela, foi pra isso que ele tinha ido lá, não dava pra voltar atrás agora.
Será que ela ia aceitar ele de volta?
Ele estava morrendo de medo, nunca havia amado alguém assim.
Tinha comprado até uma dúzia de flores pra ela dois dias antes, nunca tinha feito isso pra ninguém. Haviam se conhecido há duas semanas.
_Como eu ia saber que ela era alérgica a flores?.
Simones ou Antônios_003 + nao me importo com as rimas_002 (a pedidos...)
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Glorinha
Glorinha encostou a cabeça na janela do ônibus. Ajeitou a bolsa no colo, apoiou seus braços em cima dela e olhou em direção à rua. Chovia. Durante o trajeto, seis passageiros sentaram e levantaram do seu lado, sem que Glorinha tivesse se importado ao ponto de olhar para eles, permanecendo o tempo todo na mesma posição. Até que desencostou a cabeça da janela, ajeitou os ombros, levantou e pediu parada.
Já passavam das onze horas da noite. A rua deserta e úmida fazia ecoar mais alto o barulho do seu salto contra o chão. O prédio onde morava não tinha porteiro, era daqueles prédios antigos, década de 50, sem elevador. Glorinha morava no apartamento 405. Subiu os quatro lances de escada enquanto ouvia, e só ouvia, sua própria respiração. A cada andar que subia, ia acendendo as luzes fracas dos corredores que mal iluminavam seus passos.
Ao abrir a porta de casa, ouviu o barulho da televisão. A luz da sala estava acesa e João sentado no sofá com os olhos fixos na tela. Colocou a bolsa e chave na mesinha ao lado da porta, e se encaminhou na direção de João. Chegou até o meio da sala, ameaçou falar, mas como seus olhos não se desviaram para ela, desistiu. Glorinha deu meia volta, entrou no banheiro e fechou a porta.
De frente para o espelho se olhou e suspirou. Seus olhos percorreram seu rosto. Ainda não tinha rugas. A pele muito branca, o cabelo castanho escuro e a boca amarronzada pelo batom faziam contraste com a blusa verde garrafa, que ela mesma tinha feito. Escutava a televisão ao fundo. Seus pensamentos a levaram para longe dali. Quando voltou a si percebeu pelo espelho que lágrimas escorriam pelo seu rosto.
E assim como as lágrimas, Glorinha deixou-se cair. Ajoelhada no chão do banheiro segurou o rosto com as mãos, numa tentativa de se manter dentro de si mesma. Mas era inútil, suas lágrimas e soluços transpassavam a barreira de seu corpo.
Ficou agachada em prantos até ouvir a televisão ser desligada. Assustada, levantou num salto e ligou o chuveiro. O barulho da água iria abafar e disfarçar o barulho do seu choro. Ela não queria que João a ouvisse.
Quando saiu do banheiro as luzes da casa já estavam todas apagadas. João dormia no quarto. Como de costume, no canto da cama de costas para ela e de frente para a parede. Glorinha então destrancou uma das gavetas do armário e apanhou um velho caderno. Foi para a sala, acendeu o pequeno abajur ao lado do sofá e, no silêncio da noite e da vida, começou a folhear e ler suas últimas anotações:
15 de setembro de 2001….“em que momento a vida que planejei e sonhei pra mim escapou das minhas mãos?”… 10 de agosto de 2002 “ muitas vezes me pergunto se é melhor viver ao lado de alguém, e ter a ilusão de que tenho alguém, ou me encarar sozinha, sabendo que sou apenas eu e mais ninguém?”… 25 de março de 2003 “por que deixei de acreditar que poderia encontrar um amor companheiro, por que deixei de acreditar que poderia viver uma relação feliz?”… 30 de outubro de 2003 “meus sonhos, meus projetos para onde foram?”…. 02 de março de 2004 “me sinto tão aprisionada”….
Ao relembrar seus últimos anos de vida, Glorinha chorou novamente. E entre um soluço e outro, em meio a seu pranto, abriu uma página em branco e escreveu:
"30 de julho de 2004, descobri que estou grávida."
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Brasil 3 x 1 Argentina
O narrador mala solta um “bem amigos da Rede Globo” na TV, o jogo começa dois minutos e pouco antes do previsto, chega o primeiro casal de amigos, ele amigo de infância do anfitrião.
- Ué, o jogo já começou?
- Já. Vamos ver, Argentina tocando mais a bola. Depois a gente mostra a casa. Querem cerveja?
- Quero, claro!
- Ôpa, onde é o banheiro? Geralmente é na segunda porta à esquerda – brinca o amigo.
- Não, aqui é na primeira porta à direita – responde o anfitrião.
Toca a campainha, cinco minutos de jogo, chega o outro casal de amigos, ela com a camisa do Brasil, ele, gaiato, com a camisa da Argentina.
- Bámos, bámos, Arrentina, bámos, bámos a ganar!!!
- Tem sempre um gaiato, né? – diz a anfitriã.
O jogo segue, a pastinha em cima da mesa vai sumindo do pote, assim como o queijo e o salame.
- Querem comer já o cachorro-quente? – pergunta a anfitriã – É que ela trabalhou hoje, deve estar com fome – diz ela, para explicar a situação da amiga que trabalhou em pleno sábado.
A cerveja vai saindo feito água, alguns não bebem por recomendações médicas, outros para segurar a onda...
- Ih, é falta. Ah se tivesse o Juan na Seleção. Tá fazendo gols de cabeça direto em cobrança de falta. Só tem o Luisão que ... goooool!!! – grita o anfitrião, para comemorar o gol de cabeça do Luisão.
Barulho na rua, mais cerveja, Maradona com cara de bunda na televisão, mais uma falta pro Brasil.
- Olha lá, vai sair outro gol. Tá com cara de goleada – diz um dos convidados.
Gooooooool. Luís Fabiano. 2 a 0 pro Brasil.
- IIIIIIhhhhh, o Maradona ta ferrado – diz outro convidado – Daqui a pouco o Galvão Bueno vai mandar o “toca me bôi”. Inventou e fica nessa de “toca me bôi”.
Risos, intervalo, a casa é mostrada para os amigos, o Hino Nacional é destruído pela Vanusa no Youtube, cachorro-quente para todo mundo, começa o segundo tempo, bola pra cá, bola pra lá...
- Ih, o Brasil vai golear, tá com cara de goleada – diz o convidado com a camisa da Argentina, já totalmente a favor do Brasil.
De repente...
- Gol!!!!
Uma voz única, gol da Argentina. O grito não foi do convidado com a camisa da Argentina, mas da sua mulher, que, na verdade, mesmo vestida com a camisa do Brasil com o número 7 às costas e o nome do Adriano, quer é ver gol.
Já surge na TV o narrador chato dizendo “um Brasil e Argentina é seeeempre um Brasil e Argentina”. Para, logo depois, escorregar no português, soltar um “Luís Fabiano, olha a deslocação” e encher o peito para dizer “olha o toque por coberturaaaa... gooooooooollllll... ééééééé do Brasiiiiiiilllll”.
- Vai tomar no cu, Argentina! Vai se foder Maradona! – brava o anfitrião, para logo depois imitar o narrador chato – Haaaaaja coração, amigo!
3 a 1 no placar, toque de bola, mais cerveja, a noite passa, o jogo acaba, os convidados começam a ir embora, um tem de ir para uma quadra de samba, surge um sorvete de chocolate com amêndoas, o outro convidado pede um balde para batucar enquanto o anfitrião, meio bêbado, repete uma música só no cavaquinho.
- Ai meu Deus, os vizinhos vão adorar – diz a anfitriã, com a música ao fundo: “mas a faculdade é particular. Particular, ela é particular...”.
Acaba a música, recomendação para o último casal mandar um torpedo avisando que chegou são em casa, “porque nunca se sabe, né?”, o anfitrião deglute o que resta de salsicha, a sala tem as cadeiras desarrumadas e alguns poucos copos espalhados. Chega o torpedo, o anfitrião já dorme, a anfitriã pensa em como responder parecendo o marido. Até porque, é tudo particular...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Metapost
Quelzinha, minha amiga, um outro ditado para o "quem com ferro fere...". Eu ouvi isso num programa do Seu Boneco quando ainda estava na faculdade e aproveitei numa música besteirol que fiz, cujo nome é Por que toda mulher feia é gente boa?.
Mas o ditado é o seguinte: quem com ferro fere vai em cana (com direito a um "aí, eu vou pra galera...").
Se bem que tem gente que fere, com ferro, e não vai em cana. Mas aí é assunto para um papo em restaurante japonês numa noite de feriado.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Arrastão Virtual
Hoje "fui" na página do twitter de um amigo meu. Nunca tinha "estado" num twitter antes. Foi muito emocionante. As pessoas são lacônicas e o papo um pouco desconexo, mas esse é o futuro, dizem. Foi então que olhei para o canto direito da página e vi que ele tinha 185 seguidores. Uau, pensei. Daí entrei no twitter de outro amigo e, para meu total espanto, esse tem 1.068 seguidores!!!!! Isso mesmo que vocês leram. Automaticamente me veio o pensamento de que esse mundo virtual é mucho crazy mermo.
Para quem não sabe, twitter é uma ferramenta que você usa para acompanhar uma outra pessoa 24 horas por dia. A pessoa fica postando frases curtas. Qualquer frase que ela queira. Geralmente as pessoas postam coisas que elas estão fazendo. Por exemplo, se eu tivesse um twitter, ele seria assim:
10.00 am - Entrei na Globo
10.15 am - comecei a ler um contrato
10.45 am - continuo lendo o mesmo contrato
11.30 am - agora estou comentando esse contrato
12.00 am - estou ao telefone com um cliente chato
12.20 pm - peguei outro contrato para ler
1.00 pm - continuo lendo o contrato
E por aí iria. Seria o twitter MAIS chato da web, eu garanto a vocês.
Mas não era sobre isso que eu queria falar. O que eu queria dizer é que pára para pensar numa coisa: imagina que você está andando na rua. O Leo, por exemplo, que foi tomar um café no centro da cidade. De repente ele olha para o lado, e vê que tem uma pessoa o seguindo. Ele continua andando, entra numa loja e percebe que além daquela pessoa tem mais 3 pessoas o seguindo. Ele sai da loja e vai tomar o café. A essa altura já são 20 pessoas seguindo o Leo. Pois bem, vocês não acham que o Leo ia ENLOUQUECER? Qualquer um ia enlouquecer. Imagina ser seguido o dia inteirinho??? Agora, imaginem 1086 pessoas te seguindo... não poderia ser outra coisa que não um arrastão! Eu ia sair correndo, com certeza.
Mas no mundo virtual essa lógica parece realmente não se aplicar. De qualquer maneira, eu continuo achando tudo isso uma doideira só. Prato cheio para psicanalistas, terapeutas e.... voyeurs.
Trombadas prum café
Bom, a primeira destreza é saber desafiar a lei da Física que determina que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Nas ruas do Centro essa lei cai por terra todos os dias. Não só dois corpos ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo como três ou até quatro corpos ocupam o mesmo espaço. É nessa hora que o camarada tem de ter a destreza ímpar de mudar o destino do passo no meio do caminho. Sabe aquela fração de segundo entre um passo e outro? Então, é aí que o cara tem de mudar o percurso que imaginou traçar.
A pessoa também tem de ter um saco de filó para desviar dos obstáculos que surgem. Um deles é o da mulher que leva uma bolsa grande num antebraço e abre em demasia o outro braço, para poder se equilibrar. Consegui explicar onde a mulher leva a bolsa? É ali naquela “dobrinha” do lado oposto ao cotovelo. Ali é um desastre. Meu amigo, vai ser difícil desviar. E se a pessoa for gordinha e estiver andando na sua frente, o jeito é esperar chegar num lugar mais amplo para poder passar.
Outro obstáculo é o cara de terno e mochila. Já viu quantos andam no Centro do Rio? Um monte. E para completar, a grande maioria parece que anda atrasada, desafiando a lei da Física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Não será novidade se, de repente, você se deparar, do nada, com uma mochila, que entra de supetão na sua frente.
Ah, ainda tem aquele grupo, aí já mais coroa, de três ou quatro amigos, sócios ou empregados estáveis de alguma grande empresa. Eles andam lado a lado e, geralmente, os últimos de cada extremidade ainda carregam uma pasta ou uma agenda, dificultando a sua passagem pelo lado. Nessa categoria também estão incluídos os grupos de amigas, nem sempre bonitas, que conversam animadamente. Aí não tem jeito: ou você tromba na última pessoa de alguma extremidade ou, então, se encolhe no canto e deixa o “bonde” passar.
Claro, há os trombadinhas; os carros; as advogadas que andam com seus carrinhos de processo trombando em todo mundo; os ambulantes fugindo da apreensão da Guarda Municipal; o cara que corre para pegar o ônibus; a velhinha que anda mais devagar que todo mundo; o cara que estende o papelzinho da propaganda e coloca o braço na sua frente; a pessoa indecisa que, quando você desvia, vai para o mesmo lado e fica nessa umas três vezes. Isso só num passeio de 20 minutos para tomar um café...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Mais da "Vida como ela é para Crianças"
Seguem algumas anotações de seu caderno de campo:
Um peixe nadava alegremente, sem fazer mal a ninguém, quando veio do céu, inesperadamente, uma linda gaivota e lhe devorou.
Por que, meu Deus, por que? Existiria uma guerra natural entre céu e mar?
Outro peixe foi buscar abrigo em uma toquinha (acredito que para se recuperar da dramática cena anterior), quando foi friamente devorado PELA PRÓPRIA TOCA!
Como assim, meu Deus, como assim?
Uma reflexão: a aparentemente pacata vida marinha é, na verdade, uma enorme batalha, na qual a criativa solução do polvo de se defender soltando tinta mais parece brincadeira de criança.
Conclusão de hoje: não há paz e nem justiça no mar.
Recorreu, então, ao seu sábio e fiel amigo Darwin. Ele, como sempre, veio com excelentes argumentos:
- Helena, procure compreender, estavam todos com fome.
- Pelo amor de Deus, Darwin! Você já ouviu falar em maça?
- Bem, a opção de um mundo vegetariano não me parece exatamente justo com as plantas.
- Oh céus, pobres plantas... Não adianta, Darwin: eu não vou me adaptar!
Mesmo sem saber, Darwin retomara sua questão original: justiça. Helena até concordava com o atenuante da fome, mas o que dizer dos dilúvios, terremotos e vulcões? Ela estava mais do que convencida de que o mundo, embora belo, era naturalmente injusto e o melhor a fazer era aceitar isso. Retomou, assim, suas anotações de campo:
O mundo, embora muito belo, é naturalmente injusto.
Outra reflexão: sendo assim, de onde vem o nada sábio desejo de justiça?
- Tomás, se você divide, eu escolho!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Esperança Já!
Abri o papel, e lá tava escrito:
"7 de setembro - às 17 horas
Movimento em prol da moralização na política, sem coloração partidária.
- Se mobilize, mobilize sua escola, seu sindicato, sua igreja, seus amigos, seus colegas.
Faça parte dessa corrente de ação nacional. Que todos, de todas as camadas sociais, de todos os recantos deste Brasil dela participem.
Estenda na janela uma bandeira, uma toalha, um pano qualquer.
Bata panelas! Toque cornetas! Buzine! Promova desfiles!Passeatas! Faça a nação vibrar de indignação diante de tanta corrupção, diante de tantas mentiras!!!"
Eu já sei o que alguns de vocês pensam sobre este tipo de manifestação, mas não tive como não me emocionar diante da atitude dessa senhorinha. À beira de seus 80 anos ainda não perdeu a capacidade de se indigar nem de agir (imprimindo, dobrando e distribuindo panfletinhos pelo prédio).
E não é assim, cada um fazendo sua parte que iremos construir uma sociedade melhor?!
P.S. Fau, ainda não achei a minha estória de consumidora satisfeita, mas tenho a minha estória de cidadã satisfeita: o nosso prefeito cumpriu com o prometido na campanha e demoliu os arcos do obelisco em Ipanema. E não é incrível isso? Político cumprindo promessa?!....
P.S.2: Tá, agora vamos esperar pelo cumprimento de promessas mais relevantes na área de saúde e educação.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
...e assim disse Liz...
Assim como qualquer outra criança de 4 anos, ela às vezes nos surpreende....
Essa surgiu num simples diálogo com o avô dela:
- Vovô Júlio, quem é seu irmão?
- Meu irmã0 se chamava Luiz, mas ele já virou estrelinha e foi pro céu...
- Ele morreu de gripe suína?
-....
e agora????
domingo, 30 de agosto de 2009
A Ditadura Debochada
− Os livros da ditadura! – exclamou, já se envergonhando por seu entusiasmo quase infantil diante de uma coisa tão séria – Sempre quis ler, mas... – calou-se, pensando na lista de cerca de 150 livros que sempre quisera ler, mas...
Aí, Lucia pensou na democracia e veio à sua mente um turbilhão de nomes, imagens e acontecimentos – Sarney, Collor, FHC, Lula e, finalmente, Sarney, de novo... O Tancredo morto; Coração de Estudante; as pessoas se abrigando da chuva sob o bandeirão em Brasília; o Sarney e o bigode mexicano; o Cruzado; a Maria da Conceição Tavares chorando por causa do Cruzado (!?!?); o Funaro tentando explicar a demanda e a oferta, parecendo o romano do “Obelix e Cia”; a tablita; a Sunab, e os fiscais; a Jandira Feghali antes do creme sem enxágue gritando “Delegada neles”; as donas de casa “fechando esse estabelecimento em nome do meu presidente”; o confisco; a Zélia; a Zélia namorando o Bernardo Cabral; a Zélia casando com o Chico Anísio (!!!); o Magri; o PC Farias; o PC Farias morto num crime passional (ah, tá...); os cara-pintadas por causa da série da Globo; o impeachment; o topete do Itamar; o Itamar no camarote dos bicheiros com a Lilian Ramos sem calcinha e o Maurício Correia; o Maurício Correia Ministro da Justiça; o Maurício Correia Ministro do STF; os anões do orçamento; o ACM presidente do Senado; os sobretudos do Fernando Henrique; o Fernando Henrique e a intelectualidade; o Fernando Henrique e a Sorbonne; o Fernando Henrique quase triste por não ter nascido francês; a Vale e a CSN vendidas sem que ninguém tenha entendido direito o porquê; o escândalo da reeleição; o escândalo da venda das teles e o presidente não sabendo de nada; o escândalo do mensalão; o Zé Dirceu; o Palocci e o caseiro; o Delúbio Soares; os dólares na cueca; o Jacinto Lamas; (nome que, no fim das contas, resume o que o PT se tornou); e o presidente não sabendo de nada; e agora tudo culminado drasticamente no Sarney de novo, o homem que foi o símbolo da Nova República, mas que vinha de uma República mais velha do que a sua avó.
De repente, Lucia parou. Não tinha certeza de quanto tempo havia durado o transe.
− Bem, não sei se são três livros mesmo – disse, afinal – Mas com certeza faltou um. “A Ditadura Debochada”.
− Debochada? − perguntou Sérgio.
− É. Dessa merda de democracia que veio depois.
*Marie é obviamente democrata e admira todo mundo que lutou contra a ditadura. Mas ficaria muito puta se tivesse pegado em armas pelo direito do Sarney de governar o Senado.
* Lucia se confundiu. Há um quarto livro - "A Ditadura Encurralada".
sábado, 29 de agosto de 2009
Mais louco é quem ... não é feliz
E assim, de repente, não mais que de repente, sem qualquer tipo de aviso prévio, aquela mulher negra, toda esfarrapada, começou a dançar.
Eram piruetas e rodopios, ora ela levantava uma perna ora outra, os pés, seus braços todos em graciosos movimentos no ar como os movimentos de uma bailarina. Mais alguns instantes e entramos num delicado minueto. Quem seria o seu par? Qual seria a música que estava tocando?... Aquela criatura dominava com desenvoltura seu estreito pedaço de concreto, como se estivesse nos populosos salões de Versalles em dia de baile (e quem disse que ela não estava?).
Olhei para os passageiros dentro do ônibus, para os carros na rua e para as pessoas que passavam apressadas. O mundo girava alheio àquela mulher, agora já vestida em toda a sua majestade. Olhei para mim e senti, por um momento, inveja daquela criatura. Aos meus olhos, ela brilhava. Como seria bom se pudéssemos não perceber, mesmo que por algumas horas somente, o mundo real, o mundo da razão. Como seria bom poder agir livremente, seguindo unicamente aos comandos da sua própria voz. Como seria libertador poder não dar ouvidos o tempo todo ao senso comum, ao mundo do lado-de-fora, onde as pessoas só dançam com músicas de verdade e nunca, nunca no meio da rua, no meio do dia, no meio do caos.
Eu juro que é melhor não ser o normal. Se eu posso pensar que Deus sou eu ... por que não?
Coluna dos Consumidores Satisfeitos II
Aconteceu de Novo...
Tocou a campainha e lá estava ele, um entregador que tinha medo de cachorro. Até aí tudo indicava que seria mais uma entrega ordinária.
Mas aquela era uma farmácia diferente, primeiro porque eu estava na casa de meus pais; mas, principalmente, porque lá trabalhava o entregador que tinha medo de cachorro. Ao fazer o pedido por telefone, informei categoricamente que pagaria
Sem opção melhor, fiz uma conta por alto, peguei todo o dinheiro que tinha na carteira e atendi a porta confiante de que tudo daria certo. Driblei os dois cachorros de meus pais e abri o portão ansiosa para perguntar: “moço, quanto deu mesmo?”.
Para a minha surpresa, tive antes que encontrar o acuado entregador. Aquela imagem me quebrou e optei por um preâmbulo:
- Medo de cachorro, é?
Ele então me olhou com muita sabedoria e respondeu:
-Melhor não arriscar. A gente nunca sabe.
Só me restava concordar e ir direto ao ponto:
- É... Moço, quanto deu mesmo?
Veio a resposta e eu percebi que faltavam cinqüenta míseros centavos, além da habitual gorjeta. Por puro reflexo, tentei a sorte:
- Moço, posso ficar te devendo cinqüenta centavos?
Ele ponderou e respondeu com muita firmeza, já saindo:
- Fique tranqüila, eu intero do meu bolso.
Eu, em estado de choque, só consegui falar:
- Não, por favor, espere um minuto.
Entrei novamente na casa dos meus pais, tomando cuidado para os cachorros não fugirem, claro, e comecei a procurar. Havia de ter uma moeda em algum lugar. Encontrei, porém, o meu cunhado, que solidário com a minha busca e emocionado com a história do raro entregador me deu dez vezes mais do que o valor procurado!
Corri ao encontro do entregador, que ao ver a nota que eu trazia disse:
- Que isso, moça? Não precisava. É muita gentileza.
Respondi sem pestanejar:
- Nem vem. Foi você quem começou.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Homenagem à nossa primeira seguidora: Bianca Nascimento
(Eden Ahbez)
There was a boy
A very strange, enchanted boy
They say he wandered very far
Very far, over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day,
One magic day he passed my way
While we spoke of many things
Fools and Kings
This he said to me
The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return."
P.S: Eu totalmente apoio o movimento pelos bons exemplos. Só não me ocorreu nenhum até esse momento, mas tenho certeza de que eles existem. Só preciso ver mais a Oprah.
MVP
Vamos mandar emails para a loja procurando o Paulo, difundir a história, utilizar a figura do Paulo como exemplo. Espalhem essa história, espalhem o movimento. Outros Blogs, twitter, comunidades no orkut, facebook. Façamos desse raro testemunho um grito de guerra a favor do bom atendimento.
É sério.... quem está dentro????
terça-feira, 25 de agosto de 2009
COLUNA DOS CONSUMIDORES SATISFEITOS
Mas a intenção aqui não é compartilhar essas histórias. Pois, por mais carregadas de finíssimo humor que algumas sejam, são histórias chatas pela freqüência com que ocorrem em nossas vidas. Então, numa época em que a regra do bom atendimento virou exceção, só nos resta mudar o rumo de nossas prosas e acreditar que tempos melhores virão!
Sendo assim, proponho aqui uma coluna dedicada a relatos dos raros e emocionantes casos de bom atendimento. Por incrível que pareça, tenho uma experiência recentíssima para compartilhar:
Escolhemos nossos parcos itens e encaramos a batalha maior: a fila para pagar. Considerando as condições, saímos vitoriosos – ou seja, sem brigar! Chegando em casa, porém, em vez do sono dos justos, a surpresa maior: uma cortininha, que curiosamente havia motivado a nossa ida a guerra, tinha sido esquecida na loja, provavelmente em função de algum rompante do pequeno Gabriel.
Vejam bem, não estamos tratando de uma cortina de seda pura ou algo de mais valia. Era uma barata esteirinha enrolada, mas que, devido ao sofrimento envolvido em sua aquisição, tinha para nós um valor emocional inestimável.
De nada adiantaram as tentativas de consolo de meu marido. Eu estava devastada. Ele, que não é religioso, desesperado, ligou para a loja, às 21h30 da noite a espera de um milagre. Os fatos que se seguiram são extraordinários, porém reais, e serão narrados na seqüência em que ocorreram:
- O telefone da loja foi atendido;
- A pessoa que atendeu era muito educada e se dispôs a passar a ligação imediatamente para o profissional responsável. “Profissional responsável?!?!”, bufafa eu ao lado do telefone enquanto o meu marido tentava estabelecer um diálogo com o seu interlocutor (eu sei que isso é insuportável. Eu sei, eu sei...).
- Na seqüência veio Paulo (infelizmente não sabemos o sobrenome desse grande homem). Ele se apresentou, explicou brevemente a complexidade da situação - faltavam 30 minutos para a loja fechar, eles estavam em guerra etc etc. Depois de colocados os riscos envolvidos, pegou todos os dados da nossa cortininha perdida (inclusive seu baixo preço!) e apresentou o plano de ação: aguardaria mais um pouco por alguma ocorrência nos achados e perdidos (“Rá”, bufafa eu...); e, se não aparecesse, PASMEM, pediria uma contagem do item no estoque após o fechamento da loja para identificar uma possível devolução da mercadoria. De qualquer forma, nos daria um retorno o mais breve possível... (nesse momento, eu lançava pérolas como “e o coelhinho da páscoa etc”. Eu sei, gente. Eu sei...);
- Sem mais opções, resolvemos beber e praticar o desapego, afinal era só cortininha...
- Às 22 horas toca o celular. Paulo, é claro, já não existia mais em nossas mentes. É que, certos de que ele havia desligado o telefone, rido à beça de nossa ingenuidade e falado coisas como “sabe o que esse casal da cortininha tem mais do que eu???” tratamos de eliminá-lo de nossas vidas rapidamente. O número que aparecia no celular era confidencial, o que nos fez relutar em atender, mas poderia ser alguém precisando de alguma coisa etc etc.
- Para nossa completa perplexidade: era Paulo! Ele, o “profissional responsável” (com todos os trocadilhos, por favor), não havia descansado até encontrar a nossa humilde esteirinha enrolada. Paulo se desculpou pela hora do telefonema (!), mas não aguentaria esperar o dia seguinte para nos dar a boa notícia (juro que tive vontade de chorar nesse momento).
No dia seguinte, gastamos mais em gasolina do que o valor da cortina para buscá-la. Mas já não tinha mais preço. Fomos movidos pela esperança de avistar, mesmo que de longe, esse raro ser humano: Paulo!
Nota do autor: esse é um elogio explícito a pessoa de Paulo, o profissional responsável. Não deve, em nenhuma hipótese, se estendido à loja em questão. Não tenho nada contra a tal loja, mas é que não acredito mais em pessoas jurídicas. Elas são muito estranhas.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Tudo pelo social...
E os caras pulavam de tudo quanto é jeito, o buraco na orelha do vocalista, por causa do piercing, deixava ver o baterista no fundo do palco, o guitarrista mais parecia um contorcionista, uma loucura a apresentação.
Aí, de repente, um camarada de boné solta um "aí galera, vamô mandar uma vaia bem alta pro Sarney". Putz, a que ponto chegamos: o Sarney ser sacaneado por uma banda teen.
E pensar que o bigode do Sarney já foi chamado de "pêlo social" e que o Didi Mocó parodiava o então presidente com "meu povo e minha pova".
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Me contaram...
Ninguém entrava no quarto de música dele. Era praticamente um santuário. Tinha vinil, fita, 78 rotações, md, cd, dvd, tudo. Era um colecionador. Pagava o que fosse, trabalhava pra isso. Ia até o fim do mundo. Até um pouquinho depois do fim do mundo, atrás de um single perdido nos confins da Nepal. Ele chegou a ir até lá mesmo, atrás de um disco raro de Led Zeppellin. Só os clássicos, só colecionava os clássicos. Os amigos tinham inveja, curiosidade. Tinha mais moral no grupo aquele que chegasse mais perto do quarto do Cabelo. Não, ninguém nunca tinha entrado lá. Isso era praticamente impossível. Um dia tentaram convencer a Isabel de seduzir o cabelo e pedir a ele pra transarem no quarto de música, tipo uma tara. Ela até pensou no assunto, tentou dar em cima do Cabelo, mas ele era irredutível, ninguém entrava. Nem a mãe dele, Dona Carmen, entrava. Nem pra limpar! Ele mesmo limpava o quarto. Tinha luz especial, aroma, tratamento acústico. Ele passava horas, às vezes dias, sem sair de lá. Tinha daquelas janelinhas por onde Dona Carmen passava a comida pra ele. De repente ele saia com a cara mais tranqüila do mundo, em estado de graça. “Só os clássicos, só ouço os clássicos...” dizia ele. Um dia o encontraram morto, enforcado num rolo de fita cassete com um bilhete ao lado. Tinha ouvido falar de uma gravação de Zeca Pagodinho cantando Nirvana. Fita única. Enforcou-se quando soube que a fita havia se perdido num incêndio no apartamento do dono. Preferia morrer a não ter a fita do Zeca cantando Kurt. Dizia o bilhete: “Porque fiz isso? Pô, o Zeca é um clássico!”
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
As cores bonitas....
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Reflexões da Linha “Por que mosquito tem tanta perna se ele vôa?”
Vocês não acham que é muito sentimento desperdiçado? Eu acho, sinceramente. É uma energia tremenda que se gasta quando se está apaixonado. E o que se sente é tão profundo e mágico e bom! Queremos amar, queremos abraçar, queremos beijar, queremos o bem do próximo de uma forma tão intensa e bonita que eu realmente não me conformo de ver tudo isso, toda essa energia indo pro saco.
Partindo da premissa de que somos animais e que muito do que fazemos tem um quê de instintivo, fui em busca de tentar entender 1) o que me fazia, qual substância meu corpo produzia que me fazia ficar nesse estado todo de loucura e 2) o porquê de eu me apaixonar por uma determinada pessoa e não por outra.
A primeira resposta foi fácil encontrar (ai, o que seria de nós sem o google?!). Feniletilamina. Aparentemente a culpa é toda desse neurotransmissor que estimula a produção da dopamina, da serotonina e outras substâncias que acabam por nos deixar enlouquecidos. O mais legal é que esse neurotransmissor é ativado por, dizem alguns, feromônios. Alguns pesquisadores afirmam que exalamos continuamente, pelos bilhões de poros na pele e até mesmo pelo hálito, esses produtos químicos voláteis que estão presentes em espécies tão diversas como borboletas, formigas, lobos, elefantes e pequenos símios.
Então, a minha segunda pergunta é respondida pela resposta da primeira. O que acontece na verdade é toda uma comunicação não visível (e química) entre mim e o ser por quem eu me apaixono que vai muito além da psicanálise. Isso não é incrível? Estarei eu, enfim, livre da minha terapia de anos?
Não, não, não... porque apesar da minha segunda pergunta estar, em princípio, respondida, toda essa explicação me provoca algumas outras perguntas: por que então a paixão muitas vezes é unilateral? e qual seria o motivo dessa atração entre seres? A mera reprodução? Se sim, como explicar a paixão entre gays?
Pois é, minha gente, não liguem.... sempre que me apaixono e tenho que reprimir a paixão fico assim, inconformada com o fato de termos que transformar essa força interna tão poderosa em alguma outra coisa que eu nem sei o que é, nem como fazer para ela ir embora mais rapidamente.
Poderíamos, ao menos, materializá-la em coisas.... já pensaram? A paixão não correspondida ou que não deu certo poderia se transformar num passarinho, numa flor, ou num cachorro. E ao materializá-la você tiraria do peito toda aquela tristeza tão doída, sofrida. Seria bom, não seria? A minha paixão eu a transformaria numa borboleta azul bem grande! para voar alto , percorrendo distâncias e encantando a todos a sua volta.
Keeping Things Whole
I am the absence
of field.
This is
always the case.
Wherever I am
I am what is missing.
When I walk
I part the air
and always
the air moves in
to fill the spaces
where my body's been.
We all have reasons
for moving.
I move
to keep things whole.
(Mark Strand)
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Verso para comentário alheio...
A metafísica estava tísica
Acabou morrendo
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Um post pra chamar de meu
Cá estou eu entre amigos e exposta ao mundo. Devo confessar que a sensação de ser lida me causa certo embaraço, mas isso é coisa de tímido. Porque tímido que é tímido tem vergonha até de se expor via blog! Vai que eu tropeço e caio na frente de vocês? Olha o vexame! Todo mundo comentando e rindo baixinho...e ainda tem aquele que entre uma gargalhada contida pergunta : “kikikikiki...machucou...kikiki?”.Por isso, sejam gentis, porque é a minha primeira vez...
Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
(Mario Quintana)
Hora do almoço
Já são 14h... cinco horas já se foram...
Agora, nem blog, casamento infantil, crônica da amizado, narro, escarro, cigarro, urso fumante e feliz, só faltou o casório, que é a palavra para casamento que mais gosto. Nem uma crônica para um blog coletivo é possível neste instante.
Tem a fome. E a vontade de fazer o tempo passar mais rápido. O almoço vai ser mais demorado que o habitual, e com direito a capuccino da Kopenhagen.
domingo, 9 de agosto de 2009
Abrindo espaços íntimos...
Estou me sentindo super hiper "estranha" participando de um blog.
Sempre "persegui" milhões por aí, mas ser convidada a participar de um nunca imaginei.
Finalmente descobri a vantagem de ser "tia".
Aliás nem sei como começar a "tal da postagem" de que todos falam....queria inserir uma imagem, nem sei onde ela vai parar...este "ambiente" é meio estranho pra mim; juro que tô meio perdida...mas vamos lá!
ah! prometo que este post é o primeiro e último grandão asssim.
Gosto demais deste texto que recebi de uma pessoa muito especial faz algum tempo; não sei quem é o autor; se aparecer é só me avisar, darei o devido credito.
Ela sabia que a entrada daquele homem pela porta de sua casa não era uma coisa banal. Não chegava ser um terremoto, mas se preparava para alguns deslocamentos geológicos na sua alma.
Diria que ela propiciava que isto acontecesse, como se ali fosse se cumprir um ritual. E seria bom que ele também soubesse disto, que as pessoas não deviam entrar numa vida, numa casa e consequentemente num corpo de maneira desatenta e egoísta. A casa é lugar de permanência, mais que motel ou hotel. Exige cumplicidades mais delicadas. Contudo, precavida quanto a essa noção de permanêcia, sabendo que a vida às vezes é um deserto por onde passam caravanas e tuaregues, admitiu que já seria bom se a casa se convertesse num oásis.
Os primitivos sabem melhor que nós, pretensos civilizados, que estabanadamente banalizamos tudo que o ritual é que dá sentido aos fatos. Mínimos gestos ou certos instantes, podem se tornar históricos se estiverem entranhados desse ritmo denso de adágio que têm os rituais.
Cruzar um umbral, a soleira, ultrapassar um limite são coisas graves. Porque uma coisa é o ver, o aproximar-se, o apertar a mão, dar um sorriso e se tocar progressivamente procurando intimidade. Mais do que ocupar espaços, isto é ir povoando espaços.
Externamente é quando os amantes vão se ampliando, se alongando e habitando conjuntamente o que é público; o cinema, o restaurante, a caminhada na praia. Mas, de repente, estar na casa, na sala, na suite do outro, ver as roupas no closet, ver a escova e os grampos na bancada do banheiro, os vidros de perfume, aqueles objetos de decoração na mesa da sala, cinzeiros de prata, uma escultura da Polinésia ou cópia de uma santa barroca, isto, convenhamos, é estar com a alma exposta.
É como abrir portas, janelas e gavetas. Há o inesperado. E as pessoas e casas, que são senão gavetas dentro de gavetas, caixas dentro de caixas? Então, ir se aproximando de alguém, penetrar no espaço físico onde a figura amada habita é ir , como na estrutura da caixa chinesa, que contém outra e outras até, enfim, chegar ao latente coração do outro.
Essa mulher está rodeada de objetos que tiveram outra história, outras histórias. E durante algum tempo, como se estivesse num luto secreto adiou reinaugurar o leito, reencenar os gestos, esperar que outro homem fizesse brotar nela arrebatadamente em insuspeitadas regiões do seu corpo.
Até os objetos se deram conta que ela está oferecendo algo muito delicado. Daí uma cumplicidade entre os objetos da casa e o corpo dessa mulher. Eles também esperam que esse homem venha como um cauteloso conquistador. Há uma expectativa no ar, a comoda barroca guarda em suas volutas e elipses alguma tensão, o abajur emana uma contida luz e os tapetes parecem reanimar ternuras. Enfim, os objetos estão conscientes de seu papel de coadjuvantes.
Se ele ao invés da delicadeza do gato que é capaz de passar por taças de cristal sem quebrá-las, for do tipo invasor, um godo ou visigodo, que não controla os limites e fala preenchendo tudo egocentrica e desatentamente, então ocorrerá uma inapelável ruptura, a profanação do instante.
Ela gostaria que ele chegasse como o viajante que vindo de longe, no entanto, fala a sua língua. Alguém que não extrapolasse do presente nem invadisse seu passado e futuro. Ela o quer nos limites para os quais está preparada agora.
Ela gostaria que ele chegasse com a virilidade suave de um anjo. E que quando despertasse no dia seguinte tivesse aquela sensação do mito antigo, de que um deus dormiu lá em casa. Tranquila ela veria que a casa e todos os objetos estariam em ordem. Só que encantados. Encantados como ela que encantada sai para um novo dia com um sorriso de posse e confiança. Feliz."
E se olhasse para trás veria que os objetos da casa a contemplam cúmplices e igualmente felizes."